Quarta-feira, 01 de abril de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 16 de setembro de 2023
O parcelamento permite a compra de bens mais caros. Ao mesmo tempo, pode ser um risco à organização financeira, se não houver atenção e planejamento.
Todo mundo já se viu na seguinte situação: de frente para o caixa e com o cartão de crédito em mãos, o atendente lança a famigerada pergunta: “Crédito ou débito?”. Enquanto alguns consumidores têm uma resposta intuitiva para dar de bate-pronto, outros são confrontados com um dilema quase literário. Parcelar ou não parcelar? Eis a questão.
São muitas as variáveis que podem levar consumidores a pagarem tudo no ato da compra ou por meio de prestações mais suaves ao longo dos meses seguintes. Preço da aquisição, dinheiro disponível, despesas em aberto, cobrança de juros, descontos à vista e tantas outras.
Antes de qualquer decisão, o consumidor precisa ter consciência de que o cartão de crédito “não é um complemento da renda”, explica Gilvan Bueno, sócio e gerente educacional da Órama Investimentos. Quer um exemplo? Um trabalhador que recebe R$ 3 mil de salário mensal não dobra sua renda se tiver R$ 3 mil de limite no cartão de crédito. Ao contrário, ela passa a dever R$ 3 mil ao banco, caso utilize todo o limite — zerando sua renda real.
Outro ponto importante envolve o planejamento, sabendo quanto há para receber e quanto será preciso gastar até o próximo salário. Em outras palavras: ter consciência do orçamento mensal, seja ele individual ou familiar.
Posto isso, existem situações nas quais o parcelamento se torna mais vantajoso e outras em que pagar à vista traz mais benefícios. A materialidade e capacidade de cada um, como será mostrado, são os fatores determinantes.
Para quem tem o hábito de negociar condições de pagamento mais favoráveis, não é raro receber uma proposta de abatimento do valor, um desconto, caso desembolse a quantia total do produto. Segundo o planejador financeiro Marlon Glaciano: “Pagar à vista com desconto fica mais vantajoso, tendo em vista que o desconto gera mais economia.” Além disso, evita dívidas futuras.
“Um produto de renda fixa com liquidez diária, que remunera 100% do CDI, traz uma rentabilidade de 0,7% ao mês, descontado o Imposto de Renda”, explica Glaciano. Dessa forma, pechinchar um desconto à vista de 5% seria mais vantajoso do que parcelar, porque o abatimento superaria a rentabilidade citada.
O CDI mencionado pelo planejador financeiro diz respeito ao Certificado de Depósito Interbancário, título emitido por instituições financeiras, como forma de captação de recursos, com prazo de um dia útil. O CDI serve como um parâmetro para analisar investimentos no mercado.
Mas nem todo mundo pode pagar compras à vista. É comum o trabalhador não tenha dinheiro disponível no ato da compra, ainda que o gerente lhe ofereça 5%, 10% ou 15% de desconto. “Depende”, pondera Gilvan Bueno. “Se só o parcelamento sem juros cabe no bolso, ele é a melhor opção”, completa ele.
Mesmo que o consumidor tenha a quantia integral, uma aquisição grande pode bagunçar as contas do mês. Carol Stange, educadora em finanças pessoais, ainda lembra que não é fácil se manter em posse do dinheiro. Parcelar sem juros “pode ajudar quando o orçamento está apertado e para não comprometer objetivos financeiros”, sugere ela.
Para quem se dá ao luxo de pagar à vista, outros fatores podem nortear a escolha. “Quanto é a poupança? 6,23% ao ano. Talvez o desconto à vista tenha que ser essa taxa. E o melhor número seria 13,25%, que é a Selic atual. Assim, teria a taxa da inflação mais uma rentabilidade real”, ensina Bueno. Em resumo, conhecer as taxas praticadas no mercado no momento da compra constitui um bom parâmetro de avaliação.