Sábado, 17 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 1 de outubro de 2023
No comando do mais rico e populoso Estado brasileiro e instalado no Ministério do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com a pasta de Portos e Aeroportos, o Republicanos planeja voar mais alto. Os planos do presidente da sigla, o deputado Marcos Pereira (SP), para os próximos dez anos, incluem se tornar referência internacional em conservadorismo político, se consolidar como um dos três maiores partidos do País, conquistar a presidência da Câmara dos Deputados e ter um candidato competitivo para eleger como presidente da República.
São projetos ambiciosos para uma sigla que surgiu em 2005 como Partido Municipalista Renovador (PMR) e hoje está submetida a diferentes pressões. Precisa da visibilidade e dos recursos que vêm da aproximação com o governo federal. Também tem de gerenciar a irritação que essa proximidade traz em parte de seus membros, que até há pouco estavam engajados no governo de Jair Bolsonaro (PL). O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e o senador Hamilton Mourão (RS) até insinuaram que poderiam deixar o partido.
Para as eleições do ano que vem, a expectativa é expandir o número de prefeitos de 215 para 300 e o de vereadores de 2,5 mil para 3 mil. “São metas módicas dentro da perspectiva do partido”, disse Pereira, que dirige a sigla desde 2011 e também é vice-presidente da Câmara. Na última convenção nacional, o dirigente indicou que vai trabalhar para ter candidato próprio na disputa ao Palácio Planalto em 2026. Porém, ele evita dizer se Tarcísio será o nome do partido na próxima eleição presidencial. “Entendo que ele precisa fazer um bom governo em São Paulo, cumprir suas propostas e ir para a reeleição em 2026. Depois disso, acho que será, sim, um grande nome.”
Outro objetivo da sigla é comandar a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados no biênio 2025-2026. Embora diga que está muito cedo para discutir o tema, Pereira é a aposta do partido para suceder a Arthur Lira (PP-AL). A proximidade com Lira e o histórico de “cumpridor de acordos” são pontos favoráveis ao atual vice-presidente da Casa. Além disso, a entrada do Republicanos no governo Lula é considerada parte da estratégia da sigla para conquistar a Mesa Diretora, visto que o apoio do Executivo tem peso relevante na disputa pela presidência da Câmara.
Fundo eleitoral
Com 41 deputados e quatro senadores, o Republicanos possui a sétima e a nona maiores bancadas partidárias na Câmara e no Senado, respectivamente. A sigla também é a única que apresenta crescimento contínuo desde 2006, segundo dados do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap). Na última eleição, a legenda elegeu dois governadores – São Paulo e Tocantins –, tornando-se o partido que governa o maior número de eleitores nos Estados, com 35,8 milhões de pessoas aptas a votar sob a sua administração. Além disso, a sigla recebeu, entre janeiro e agosto deste ano, R$ 40 milhões do Fundo Partidário – a sétima maior quantia distribuída aos partidos. Já em relação ao fundo eleitoral, a agremiação recebeu R$ 236 milhões na última eleição.
Reforma ministerial
Em setembro, o Republicanos foi contemplado na reforma ministerial de Lula que, para garantir governabilidade, cedeu espaço para o Centrão no primeiro escalão. Com isso, o deputado Silvio Costa Filho (PE) assumiu o comando da pasta de Portos e Aeroportos.
Para reduzir a animosidade entre governistas e bolsonaristas, a Executiva Nacional alegou que se tratava de um convite pessoal do petista ao parlamentar. Além disso, o deputado se licenciou de suas funções partidárias e a sigla emitiu nota informando que “não fará parte da base do governo Lula e seguirá atuando de forma independente”. A solução agradou a petistas, que demonstraram tranquilidade com a manobra, e a bolsonaristas, que, por ora, seguem na legenda.
Histórico
Embora a entrada de Costa Filho no governo Lula seja recente, a relação da legenda com o PT é histórica. Fundado como PMR, a sigla trocou de nome para Partido Republicano Brasileiro (PRB) em 2006, por sugestão do então vice-presidente da República, José Alencar. Na eleição daquele ano, o PRB foi o partido do vice de Lula na disputa à reeleição. Assim, a legenda foi base dos governos petistas até pouco antes do impeachment de Dilma Rousseff.
O partido tem uma relação íntima com a Igreja Universal, do bispo Edir Macedo, e é considerado por alguns o “braço político” da organização religiosa. Atualmente, pelo menos 14 dos 24 integrantes da Executiva Nacional da legenda são membros, obreiros, pastores ou bispos da Universal. Entretanto, a cúpula partidária nega qualquer influência. “A Igreja não interfere no partido e o partido não serve à igreja”, afirmou Pereira, que também é bispo licenciado da Universal.