Segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Abertura da Colheita do Arroz deve reunir 21 mil visitantes em fevereiro

A orizicultura gaúcha prepara-se para viver, entre os dias 24 e 26 de fevereiro, um dos momentos mais simbólicos de seu calendário: a 36ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas, que será realizada na Estação Experimental Terras Baixas da Embrapa Clima Temperado, em Capão do Leão (RS). O evento, que se consolidou como referência nacional em inovação e debate sobre o setor, deve receber 21 mil visitantes, entre produtores, técnicos, pesquisadores e representantes de 17 países e 18 estados brasileiros.

A coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (26) apresentou os principais pontos da programação e reforçou o caráter estratégico da iniciativa. O chefe-geral da Embrapa Clima Temperado, Leonardo Ferreira Dutra, destacou a continuidade do evento, realizado de forma ininterrupta ao longo dos anos, inclusive durante a pandemia. “Já estamos na oitava edição consecutiva aqui na estação da Embrapa Clima Temperado”, afirmou. Segundo ele, está em andamento uma formalização para que o encontro permaneça em Capão do Leão pelos próximos dez anos, garantindo estabilidade logística e estrutura para as vitrines tecnológicas.

Tradição de mais de três décadas

A Abertura da Colheita do Arroz é uma ação que já soma 36 edições realizadas ao longo de mais de três décadas, consolidando-se como marco anual da orizicultura brasileira. Criada pela Federarroz, a iniciativa nasceu como um ato simbólico para marcar o início da safra e evoluiu para se tornar um fórum de debates sobre competitividade, sustentabilidade e inovação. Desde 2018, o evento tem sede fixa em Capão do Leão, na Embrapa Clima Temperado, onde já ocorreram oito edições consecutivas.

Cenário econômico e desafios

O diretor técnico do Senar-RS, Cláudio Rocha, lembrou que a programação ocorre em um momento delicado para o setor. “Precisamos buscar alternativas, e muitas delas certamente estarão em debate aqui. É nesses momentos que surgem oportunidades”, disse, reforçando o papel da entidade na discussão dos desafios enfrentados pelos produtores.

O vice-presidente da Farsul, Fernando Rechsteiner, chamou atenção para a necessidade de diversificação, não apenas na rotação de culturas, mas também na abertura de novos mercados. “O aumento da eficiência produtiva sem a diversificação de mercados pode levar à redução de área plantada”, observou. Ele lembrou que cerca de 30% do milho produzido no país já é destinado à produção de etanol e defendeu a ampliação de alternativas para o arroz.

Segundo Rechsteiner, a viabilidade do uso do arroz na produção de etanol será tema de reunião da câmara setorial nacional do arroz durante o evento. “Estamos fazendo campanhas de consumo, mas isso não é suficiente. Precisamos encontrar novos destinos para o arroz”, afirmou.

Tecnologia e inovação

O coordenador regional do Irga Zona Sul, Igor Kohls, ressaltou o perfil tecnológico da Abertura da Colheita. “O evento se consolidou como um espaço de inovação. As principais novidades em máquinas, insumos e sistemas produtivos estão presentes, permitindo que o produtor avalie a eficiência das tecnologias nas vitrines”, disse. Para Kohls, esse perfil tem contribuído para o crescimento contínuo do público e para a consolidação da colheita como vitrine de soluções.

Conexão campo e mercado

O presidente da Federarroz, Denis Dias Nunes, destacou que o tema da edição será “Cenário atual e perspectivas – Conectando campo e mercado”. “Precisamos analisar as conjunturas. Os cenários mudam e exigem preparação do produtor para enfrentar novas realidades”, afirmou.

Nunes também abordou a abertura de mercado a partir do acordo com a União Europeia. “Temos a possibilidade de exportar 60 mil toneladas de arroz. O processo prevê seis etapas até a liberação total, mas acreditamos que, à medida que o mercado europeu conheça nosso produto, o consumo tende a crescer, especialmente pelo investimento em produtividade, qualidade e sustentabilidade”, concluiu.

Estrutura ampliada

A edição de 2026 contará com uma área total de 30 hectares, expectativa de público de 21 mil pessoas, 230 expositores e uma Feira da Agricultura Familiar com 20 participantes — três vezes mais do que em 2024. Serão 35 lavouras nas vitrines tecnológicas, com cerca de 50 empresas expondo produtos e soluções. O encerramento terá um ato simbólico de colheita na Lavoura Breno Prates, reforçando o caráter tradicional e comunitário do evento.

O prefeito de Capão do Leão, Vilmar Schmitt, também participou da coletiva e mencionou as dificuldades enfrentadas pelo setor. “Precisamos ter um norte claro para saber onde queremos e precisamos chegar”, disse, ao defender o fortalecimento das parcerias entre o município e as entidades do agro.

Arroz como referência

Realizada pela Federarroz, com correalização da Embrapa e do Senar-RS, e patrocínio premium do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), a Abertura da Colheita reafirma seu papel como espaço de integração entre ciência, mercado e produtores. Mais do que celebrar o início da safra, o evento se tornou fórum de debates sobre competitividade, sustentabilidade e futuro da orizicultura brasileira. As inscrições são gratuitas e já estão disponíveis no site oficial: www.colheitadoarroz.com.br (por Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)

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