Segunda-feira, 26 de outubro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 26 de outubro de 2026
As taxas de abstenção e de votos inválidos no segundo turno das eleições presidenciais nesse domingo (25) sofreram uma queda recorde em relação ao primeiro turno e atingiram os níveis mais baixos desde 2002, ano em que a urna eletrônica foi universalizada no país.
Segundo turno atraiu 3 milhões de pessoas que não votaram na primeira etapa. O número total de abstenção neste domingo foi de 30,4 milhões.
Mais de 128,1 milhões de brasileiros votaram neste domingo, que consagrou a quarta vitória de Lula (PT) ao Planalto, com 51,78% dos votos contra 48,22% de Flávio Bolsonaro (PL), a primeira virada da história.
Com 99,9% das urnas apuradas, a abstenção neste segundo turno foi de 19,21%, quase 2 pontos (1,8) percentuais dos 21,08% no primeiro turno, a maior da série histórica. O percentual é o mais baixo para o segundo turno desde 2006.
Os votos nulos e brancos, desconsiderados no resultado final, atingiram 3,24%, o menor já registrado nos dois turnos das eleições presidenciais neste século. No primeiro turno, representaram 4,77%.
segundo turno desta eleição ficou marcado pela falha na oferta de transporte público para eleitores. O setor de inteligência do Ministério da Justiça identificou problemas em municípios da Bahia, São Paulo, Piauí, Sergipe, Pará, Alagoas e Rio de Janeiro. Em Salvador, a Justiça eleitoral determinou a prisão do secretário de Mobilidade, Pablo Souza.
A restrição à circulação dos eleitores levou ao pedido do PT para ampliar o horário de encerramento da votação de 17h para 19h. O PL também solicitou a mesma medida nos estados de São Paulo, Paraná e Santa Catarina, em razão das chuvas intensas nesses locais.
O ministro Cristiano Zanin, do STF (Supremo Tribunal Federal), e, posteriormente, o ministro Kassio Nunes Marques, presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) acataram os pedidos, ampliando o prazo de votação em todo o país até as 19h. Contudo, as decisões foram expedidas muito perto das 17h e diversas seções já haviam fechado as urnas eletrônicas, inviabilizando a inclusão de novos votos.
A dificuldade gerada para o eleitor gerou tensão campanha petista, que neste segundo turno se mobilizou para tentar reduzir a abstenção no eleitorado. Para estimular a presença de idosos, grupo no qual o presidente reeleito Lula tinha melhor resultado nas pesquisas de intenção de voto, o governo reforçou a divulgação da informação de que a ida à votação serve como prova de vida para aposentados e pensionistas do INSS.
No primeiro turno, a abstenção já havia caído entre jovens até 18 anos, idosos, e pessoas menos instruídas em comparação a 2022. O perfil dos ausentes só é divulgado pelo TSE dias após o pleito.
Apesar dos problemas com ônibus em Salvador, dois estados do Noreste registraram a maior queda de abstenção. A Bahia lidera, com recuo de 3,2 pontos percentuais (de 19,9% para 16,7%). O segundo foi Pernambuco, com uma redução de 2,9 pontos percentuais (de 18,1% para 15,9%). O petista venceu nos dois estados com larga vantagem (71,31% e 69,19% dos votos válidos, respectivamente).
São Paulo foi o terceiro estado em que a abstenção mais caiu: 2,7 pontos percentuais, de 22,5% para 19,8%. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) venceu no estado com 53,8% dos votos válidos.
Três estados do Norte foram na contramão da mobilização do eleitorado em todo o país. Amapá (8 pontos percentuais), Roraima (6) e Acre (5,6) registraram as maiores altas na abstenção.
No geral, a abstenção caiu em 18 estados e subiu em 9.
Até 2022, em todas as eleições o percentual de eleitores ausentes subiu no segundo turno. O embate entre o Lula e o ex-presidente Jair Bolsonaro foi o primeiro em que houve redução nesta taxa, em relação ao primeiro turno. A queda foi de 0,38 pontos percentuais, de 20,95% para 20,57%. (Com informações da Folha de S. Paulo)