Segunda-feira, 02 de novembro de 2026

Acordo entre Mercosul e União Europeia completa 6 meses com alta de 14,8% nas exportações do agro

As exportações do agronegócio brasileiro para a União Europeia cresceram 14,8% nos primeiros cinco meses de aplicação provisória do acordo comercial entre os dois blocos. As vendas alcançaram US$ 12,21 bilhões entre maio e setembro de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado. O resultado foi divulgado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na passagem dos seis primeiros meses da implementação do tratado, iniciada em 1º de maio.

Além do aumento da receita, o volume embarcado também apresentou crescimento. O Brasil exportou 17,74 milhões de toneladas de produtos agropecuários e agroindustriais para os 27 países da União Europeia no período, avanço de 8,1% em relação às 16,42 milhões de toneladas registradas nos mesmos meses de 2025.

O desempenho foi impulsionado por diferentes segmentos, com destaque para soja, carnes, produtos apícolas e frutas. Os dados do sistema Agrostat, utilizado pelo Ministério da Agricultura para acompanhar o comércio exterior do setor, mostram que algumas cadeias tiveram expansão expressiva no período.

Entre os destaques estão os produtos apícolas, principalmente o mel, cujas exportações avançaram 367% em valor. Os produtos oleaginosos, exceto soja, registraram crescimento de 161%. Já as vendas de carnes aumentaram 103,5% em valor e 170% em volume, passando de 101 mil para 272 mil toneladas.

O complexo soja, que reúne grãos, farelo e óleo, permaneceu como o principal segmento da pauta exportadora brasileira para o mercado europeu. As vendas passaram de US$ 3,12 bilhões entre maio e setembro de 2025 para US$ 4,19 bilhões no mesmo período deste ano, uma alta de 34,2%.

A soja em grãos apresentou crescimento ainda maior, de 49% em valor e 35,1% em volume. As exportações de farelo avançaram 22,5% em valor. Também houve expansão nos produtos florestais, com aumento de 23%, e nas frutas, incluindo nozes e castanhas, que registraram alta de 15%.

Entre os produtos individuais, o abacate apresentou crescimento de 421,2% em valor, passando de US$ 3,81 milhões para US$ 19,87 milhões. O óleo de milho bruto avançou 266,3%, enquanto as exportações de café torrado aumentaram 91,6%. As vendas de café solúvel cresceram 19%.

O resultado também reflete o início da utilização das preferências tarifárias previstas no acordo. Desde maio, determinados produtos brasileiros passaram a contar com reduções nas tarifas cobradas para entrar no mercado europeu. Entre eles estão o café torrado, o café solúvel e o abacate. Para esses produtos, a eliminação completa das tarifas está prevista para ocorrer gradualmente até 2030.

As importações brasileiras de produtos agropecuários e agroindustriais provenientes da União Europeia somaram US$ 1,67 bilhão entre maio e setembro, alta de 3,3% em relação ao mesmo período de 2025. Mesmo com o aumento das compras, o Brasil ampliou o superávit comercial do agronegócio com o bloco, que passou de US$ 9,01 bilhões para US$ 10,54 bilhões, crescimento de 17%.

Apesar dos resultados iniciais, o aproveitamento integral das oportunidades dependerá da implementação gradual das condições negociadas e do atendimento às exigências sanitárias, ambientais e de rastreabilidade impostas pelo mercado europeu.

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