Domingo, 11 de janeiro de 2026

Acordo Mercosul com a União Europeia: Para a senadora Tereza Cristina, “não foi o acordo dos sonhos, mas o possível”

A agroindústria será a maior beneficiada do Brasil com o acordo de livre-comércio entre o Mercosul e a União Europeia. A estimativa é que o acordo provoque um crescimento extra de 2% no setor em 17 anos, de acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

No Brasil, de acordo com o estudo, nenhum setor como um todo deve ser prejudicado: serviços devem crescer 0,41% no período; extração mineral, 0,08%; e indústria de transformação, 0,04%. Segmentos específicos desses setores, porém, poderão ter perdas. É o caso dos equipamentos elétricos (-1,6%) e de máquinas e equipamentos (-1%).

“A indústria sempre foi o problema para o Mercosul fechar o acordo com a União Europeia. No Brasil, há segmentos que ganham e outros que perdem. E isso é típico de acordos comerciais. Por aqui, esses ganhos e perdas quase se anulam”, diz Fernando Ribeiro, um dos autores do estudo. “Por isso, é importante olhar o efeito total do acordo para a economia. Aqui, ele é positivo.”

A indústria dos demais países do Mercosul deverá ter uma perda de 0,32% em 17 anos, enquanto a da União Europeia deverá ganhar 0,22%, de acordo com a pesquisa.

Entre os segmentos industriais do Brasil, o que mais se beneficiará é o de calçados, com alta prevista de 3,2%. “Para nós, é muito importante que o acordo aconteça, mas o impacto não virá no curto prazo”, diz o presidente executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Haroldo Ferreira.

O acordo prevê que, após sua entrada em vigor, os impostos de importação europeu sobre calçados levem, em média, dez anos para serem zerados – daí a ausência de um impacto no curto prazo. Hoje, dependendo do modelo, os calçados brasileiros são taxados entre 3,5% e 17% para entrar no bloco europeu. Sapatos de couro, que são os que o Brasil mais embarca para a Europa, são tributados em 8%. Nesse caso, o imposto deverá atingir zero em sete anos.

A União Europeia importa cerca de 40% da produção mundial de sapatos, o equivalente a 3,2 bilhões de pares. O Brasil, no entanto, tem apenas 1% desse mercado.

Também na indústria, máquinas e equipamentos estão entre os que devem sair prejudicados do acordo. O Ipea calcula retração de 1%, ou US$ 674 milhões, em 17 anos. No segmento, está previsto que a atual tarifa de 12,6% leve dez anos para ser zerada.

Aves e suínos

Na agroindústria brasileira, o segmento de carnes de aves e suínos será o que receberá maior impulso com o acordo. O crescimento previsto é de 9,2%. “A avaliação é positiva. A gente ganha mais espaço de venda e tem um ambiente de negócios melhor”, diz o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin. Por ora, Santin vê um potencial maior para o segmento de aves. Isso porque no de suínos não há um acordo sanitário que permita, hoje, a venda para os países europeus. “O acordo prevê uma cota para a exportação de carne suína do Mercosul para a União Europeia, mas atualmente o Brasil não tem empresas habilitadas para exportar.”

Para o frango, o acordo autorizará, após seis anos, a entrada de 180 mil toneladas de carne sem taxação. Essa cota terá de ser dividida entre os países do Mercosul.

Hoje, o Brasil pode vender para o bloco europeu 346 mil toneladas de carne de frango, cuja tributação, dependendo do corte, pode chegar a 15%. Acima desse volume, os impostos praticamente inviabilizam a exportação brasileira. A cota para o Mercosul, portanto, amplia o volume que pode ser embarcado para a Europa.

Como ocorre com o segmento de carne de frango, todos os outros terão prazo para as tarifas zerem zeradas. No café, por exemplo, que hoje é tarifado em 9% ao chegar ao bloco europeu, serão quatro anos. No limão, sete anos.

Apesar do potencial positivo para a agropecuária brasileira, o setor se diz preocupado com as salvaguardas que foram aprovadas pela União Europeia. Na análise da diretora de relações institucionais da Confederação da Agricultura e Pecuária Brasileira (CNA), Sueme Mori, as salvaguardas são uma sinalização negativa para a ampliação do comércio entre os blocos.

A vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e ex-ministra da Agricultura, Tereza Cristina (PPMS), destacou que a aprovação do acordo entre os dois blocos é “um avanço importante”, mas acrescentou que “não foi o acordo dos sonhos, mas o possível”.
Ela criticou as salvaguardas e reforçou que essa medida sinaliza uma ameaça ao agronegócio brasileiro.

“Abre portas e estabelece cotas, mas o livre-comércio ainda está distante. Ainda mais com as novas salvaguardas impostas pela UE que significam ameaças injustas ao nosso agro. Mesmo assim, o acordo pode se ajustar e abrir perspectivas comerciais para o Brasil”, comentou a senadora. Com informações do jornal O Estado de S. Paulo.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de em foco

Lula fez elogio na maioria dos seus posts sobre a Venezuela
Poupança tem mais saques do que depósitos pelo quinto ano seguido
Pode te interessar
Baixe o app da TV Pampa App Store Google Play