Sexta-feira, 06 de fevereiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 5 de fevereiro de 2026
A acusação de assédio sexual contra o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Marco Buzzi foi enviada nessa quarta-feira (4) para o Supremo Tribunal Federal (STF). O relator do caso, conforme definido em sorteio eletrônico, é o ministro Kassio Nunes Marques. Buzzi é acusado de tentar agarrar três vezes uma jovem de 18 anos na praia de Balneário Camboriú (SC) em janeiro deste ano, conforme revelou a revista Veja. O caso foi remetido ao Supremo já que ministros do STJ possuem prerrogativa de foro perante o STF.
À Polícia de São Paulo, onde registrou a ocorrência, a jovem afirmou que desde o episódio não consegue dormir e sofre pesadelos constantes, além de estar sendo acompanhada por psicóloga. Em outra frente de investigação, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) abriu um procedimento para apurar as acusações contra o ministro. Enquanto o procedimento do CNJ tem natureza administrativa (com a possível aplicação de medidas contra o magistrado, como afastamento das funções), no Supremo o processo tem natureza criminal, podendo levar a uma condenação de Buzzi.
As acusações contra Buzzi vêm à tona em um momento em que a Polícia Federal (PF) segue com as investigações de um esquema de venda de sentenças judiciais no STJ que mira uma rede de lobistas, advogados, empresários e ex-servidores de gabinetes de outros três ministros. A denúncia de assédio sexual chocou ministros do STJ, que passaram a defender reservadamente o afastamento do magistrado de suas funções. “As acusações são gravíssimas. Estamos em choque”, disse um integrante do STJ ouvido em caráter reservado.
Um outro ministro definiu o caso como um “horror”. “Não tem uma boa saída. Ou ele se afasta ou ele acaba afastado”, comentou.
Na avaliação de um terceiro magistrado, o afastamento de Buzzi é necessário já que ele foi “julgado e condenado pelo tribunal do povo”. Em nota, Buzzi disse que “foi surpreendido com o teor das insinuações divulgadas” pela imprensa, que, segundo ele, “não correspondem aos fatos”. Buzzi também disse que “repudia toda e qualquer ilação de que tenha cometido ato impróprio”. O CNJ, por sua vez, informou que a Corregedoria do órgão já colheu depoimentos e que o caso tramita sob sigilo para “preservar a intimidade e a integridade da vítima, além de evitar a exposição indevida e a revitimização”.
Nesta quinta-feira (5), Buzzi entregou um atestado médico ao presidente da Corte, Herman Benjamin. A pedido da família, o tribunal não divulgou o diagnóstico nem o tempo que Buzzi ficará afastado das atividades.