Quarta-feira, 04 de novembro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 4 de novembro de 2026
A advogada Dora Cavalcanti, que representa um dos investigados presos na operação que apura fraudes no Banco Master, criticou a condução do processo no Supremo Tribunal Federal (STF) e apontou possíveis irregularidades que, na avaliação da defesa, podem comprometer a investigação e levar à anulação de provas. Ela representa o advogado Daniel Monteiro, apontado pela Polícia Federal como operador jurídico-financeiro do banqueiro Daniel Vorcaro. A defesa nega as acusações.
Em entrevista, Cavalcanti afirmou que seu cliente está há seis meses preso preventivamente sem ter prestado depoimento. A advogada também questiona a demora na análise dos pedidos de revisão da prisão e sustenta que os prazos previstos na legislação não foram respeitados.
Um dos principais argumentos apresentados pela defesa está relacionado ao artigo 316 do Código de Processo Penal, que determina a revisão periódica das prisões preventivas a cada 90 dias. Segundo a advogada, o pedido de reavaliação da situação de Monteiro permaneceu sem andamento adequado durante a tramitação no gabinete do ministro André Mendonça, antigo relator do caso.
A situação, segundo ela, se agravou depois que o presidente do Supremo, ministro Edson Fachin, assumiu a condução dos inquéritos relacionados ao Banco Master e às investigações envolvendo descontos indevidos em benefícios previdenciários.
Cavalcanti afirma que, depois da transferência dos processos para a presidência da Corte, houve um período superior a um mês sem análise dos pedidos apresentados pela defesa. Na avaliação da advogada, a indefinição sobre a responsabilidade pela condução dos procedimentos criou um cenário de insegurança jurídica.
A defensora também questiona a utilização de conversas de WhatsApp envolvendo seu cliente e outros integrantes do escritório de advocacia. Para ela, o material envolve comunicações protegidas pelo sigilo profissional entre advogado e cliente.
A Polícia Federal identificou indícios de que Monteiro teria participado da estruturação de operações utilizadas para transferir imóveis ao ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa. Segundo a investigação, os bens teriam sido utilizados como pagamento de vantagens indevidas relacionadas a negócios com o Banco Master.
A defesa contesta essa interpretação. Cavalcanti sustenta que o escritório prestava serviços jurídicos ao banco e que a utilização de empresas de propósito específico em operações imobiliárias é uma prática comum no mercado. Também afirma que seu cliente não tinha procuração para movimentar os recursos de Vorcaro nem acesso às contas bancárias do empresário.
A advogada comparou a condução da operação com procedimentos adotados durante a Operação Lava Jato. Segundo ela, os questionamentos sobre competência judicial, acesso a comunicações profissionais e manutenção de prisões preventivas podem resultar em disputas jurídicas semelhantes às que marcaram aquela investigação.
Outro ponto levantado é a competência do STF para conduzir o caso. Cavalcanti questiona a existência de elementos que justificariam a tramitação de toda essa etapa da investigação na Corte, diante das pessoas inicialmente presas e dos fatos atribuídos a elas.
A eventual anulação, entretanto, depende de decisões judiciais e da comprovação de irregularidades com repercussão sobre a validade dos atos processuais. As críticas apresentadas pela advogada representam a posição da defesa e não significam que o Supremo tenha reconhecido ilegalidades na investigação.