Quarta-feira, 07 de janeiro de 2026

Advogado reconhecido que libertou Julian Assange: quem é Barry Pollack, que vai defender Nicolás Maduro

Preso em Nova York, Nicolás Maduro será defendido por Barry Pollack em seu julgamento pelos Estados Unidos. Ao lado de Pollack, Maduro se declarou inocente nessa segunda-feira (5) perante um tribunal de Nova York, alegando ser um “prisioneiro de guerra” do governo Trump.

Esse não é o primeiro caso de grande repercussão assumido por Pollack. O especialista em direito criminal já tem mais de 35 anos de carreira e atuou em alguns dos maiores julgamentos recentes, como o do fundador do WikiLeaks, Julian Assange.

Julian Assange ficou mundialmente conhecido por fundar o WikiLeaks, criando uma rede de ativistas. A organização foi responsável pelo vazamento de cerca de 700 mil documentos classificados dos Estados Unidos, o que irritou autoridades norte-americanas.

Processado, ele permaneceu anos refugiado na embaixada do Equador em Londres até ser preso pelas autoridades britânicas, em resposta a um pedido emitido por Washington.

Pollack é tido como o grande “arquiteto” do acordo que tirou Assange da prisão. Em 2024, o ativista se declarou culpado por violar a Lei de Espionagem dos EUA. Em troca, a Justiça comutou a sua pena, e ele foi libertado. A audiência ocorreu excepcionalmente nas Ilhas Marianas do Norte, e Assange saiu de lá em direção à Austrália, onde fixou residência.

Em outro caso que lhe ajudou a trazer notoriedade, Pollack defendeu um funcionário da empresa de energia Enron, que decretou falência após um dos maiores escândalos de fraude contábil da história dos EUA vir à tona.

Enquanto 22 pessoas foram condenadas, Michael W. Krautz, representado por Pollack, foi um dos poucos inocentados da acusação de crimes fiscais no âmbito federal.

Caso Maduro

Capturado pelos Estados Unidos no sábado (3) em Caracas, o venezuelano declarou inocência em todos os quatro crimes aos que responde na Justiça norte-americana. São eles:

* Narcoterrorismo;
* Conspiração para o tráfico de cocaína;
* Posse de armas e explosivos;
* Conspiração para a posse de armas e explosivos.

Maduro compareceu a um tribunal em Nova York para sua 1ª audiência, na qual ouviu formalmente os crimes pelos quais é acusado. Ele estava com algemas nos tornozelos e fone de ouvido.

A audiência foi um trâmite burocrático da Justiça norte-americana, no qual réus devem comparecer para ouvir formalmente por que estão sendo julgados. Agora, o juiz responsável pelo caso marcou uma nova audiência foi marcada para 17 de março, na qual Maduro e sua esposa prestarão depoimento.

Maduro e Cilia foram capturados pelo Exército norte-americano em operação militar na madrugada de sábado em Caracas e levados ao Centro de Detenção Metropolitano (MDC, na sigla em inglês), no Brooklyn. A audiência está marcada para começar às 14h no horário de Brasília.

Segundo o Departamento de Justiça dos EUA, Maduro e Cilia serão formalmente acusados pelos seguintes crimes:

* Conspiração para o narcoterrorismo;
* Conspiração para o tráfico de cocaína;
* Posse de metralhadoras e dispositivos explosivos;
* Conspiração para posse de metralhadores para uso pelo narcotráfico.

“Eu sou inocente. Eu sou um homem decente. Eu sou um presidente”, declarou Maduro, no tribunal em Manhattan.

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