Terça-feira, 10 de março de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 9 de março de 2026
Integrantes da defesa de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e da Polícia Federal (PF) afirmam que não há em curso, neste momento, nenhuma negociação para que o banqueiro firme um acordo de delação premiada.
Rumores de delação voltaram na última quarta-feira (4), quando Vorcaro foi preso pela segunda vez em uma nova fase da Operação Compliance Zero, que apura os crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos praticados por organização criminosa.
Na quinta-feira (5), o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a transferência do banqueiro, que estava em São Paulo, ara a Penitenciária Federal de Brasília. Ele atendeu a um pedido feito pela PF, que alegou “risco à ordem pública” e a necessidade de que ele ficasse custodiado em uma instituição federal.
Segundo a corporação, a medida é necessária para “preservar a efetividade da prisão preventiva e a mitigar riscos institucionais associados à elevada sensibilidade da investigação, inclusive, e pelas mesmas razões, servindo como forma de melhor garantir da integridade física do próprio preso”.
A defesa de Vorcaro é chefiada por Pierpaolo Bottini e Roberto Podval, ambos contrários a acordos de colaboração premiada. O que se diz nos bastidores é que enquanto os advogados continuarem atendendo Vorcaro, não haverá delação. O “sinal vermelho”, brincou uma fonte, seria se a dupla abandonasse o caso.
Já na PF, a avaliação é de que por ora não haveria motivos para a delação. Segundo investigadores, um acordo só seria fechado se ficasse claro que a colaboração de Vorcaro é “absolutamente necessária” para implicar suspeitos maiores que o banqueiro, como autoridades.
A terceira fase da Operação Compliance Zero, assim como informações extraídas do celular de Vorcaro indicam que não faltava trânsito entre os Poderes. Não está claro, no entanto, qual o nível de relação, nem o envolvimento de autoridades em supostos crimes praticados pelo dono do Master.
Também há indícios de corrupção entre a cúpula do Banco Central, que teriam repassado informações e facilitado trâmites internos para o banqueiro. A PF avalia, no entanto, que as investigações, por si só, estão dando conta de apurar os tentáculos de Vorcaro.
O banqueiro é investigado no inquérito que apura supostas fraudes na emissão de títulos de crédito. Ele já havia sido preso em novembro e liberado logo depois, quando a investigação tramitava na primeira instância, no Tribunal Regional Federal da 1ª Região).
Na segunda fase da operação, deflagrada em janeiro, a Polícia Federal realizou buscas de documentos e dispositivos em endereços de pessoas ligadas a Vorcaro, para aprofundar as investigações em curso.
Na última fase, deflagrada na quarta, a PF disse ter identificado quatro núcleos de atuação do suposto esquema criminosa, com atividades distintas: o “financeiro”, o de “corrupção institucional”, “ocultação patrimonial e de lavagem de dinheiro”. As ações de intimidação seriam organizadas em um grupo no WhatsApp, batizado de “A Turma”. As ordens seriam emitidas por Vorcaro. (Com informações do Valor Econômico)