Quinta-feira, 15 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 15 de janeiro de 2026
As projeções do Serviço de Inteligência em Agronegócio (SIA) apontam que 2026 será marcado pela ascensão da pecuária de cria como líder de rentabilidade no agronegócio brasileiro. Os sinais já vinham aparecendo no fim de 2025, quando os leilões de bezerros registraram preços acima de quinze reais por quilo, com lotes chegando a dezoito e até dezenove reais. Para o gerente técnico da SIA, Armindo Barth Neto, essa valorização reflete uma demanda aquecida por animais jovens, que em alguns casos ultrapassaram a marca de 3,5 mil reais por cabeça. O conjunto desses indicadores, afirma, projeta um cenário favorável e reposiciona a cria como protagonista da cadeia produtiva.
Esse movimento não acontece isolado. O Brasil encerrou 2025 como maior produtor mundial de carne bovina, ultrapassando os Estados Unidos, e bateu recordes de exportação. Esse desempenho amplia a procura por reposição e reforça a importância da cria como base de oferta para todo o sistema. Mas o bom momento exige cautela: trata-se de um ciclo longo, que demanda planejamento e gestão consistente. Não adianta mudar de estratégia a cada oscilação do mercado, porque a cria só entrega resultados quando há foco e produtividade interna.
Outros modelos, como recria e terminação, devem enfrentar mais desafios em 2026, pressionados pelo custo da reposição e pela volatilidade cambial. Já o ciclo completo, que integra cria, recria e engorda, oferece maior estabilidade frente às oscilações, mas exige escala e gestão complexa. Nesse contraste, a cria se destaca como menos vulnerável e mais alinhada ao novo momento do mercado.
Se 2026 será o ano da cria, não será apenas pelo preço dos bezerros, mas pela capacidade de quem está na base da cadeia de transformar valorização em ganhos sustentáveis. O futuro da pecuária passa por estratégia, não apenas por cifras. (por Gisele Flores – Gisele@pampa.com.br)