Sexta-feira, 20 de março de 2026

Ala do Supremo, Procuradoria-Geral da República e Polícia Federal exige delação completa de Daniel Vorcaro

Todos os órgãos envolvidos nas negociações para um acordo de delação premiada de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, estão alinhados no entendimento de que qualquer acordo só será aceito se for completo, sem poupar nenhum dos possíveis envolvidos.

Integrantes da Polícia Federal, alas da Procuradoria-Geral da República e do Supremo Tribunal Federal demonstraram nos bastidores que não haverá espaço para uma colaboração parcial “que salve uns em detrimento de outros”, como afirma a CNN.

A mesma disposição existe no ex-banqueiro, com um recado já sendo dado pela defesa. Isso significa que, uma vez firmado o acordo, Vorcaro terá que apresentar todas as informações de que dispõe, sem exceções, incluindo todos os possíveis personagens envolvidos.

Provas devem ser consistentes, segundo instituições

A avaliação dentro dessas instituições é objetiva: “Não existe delação pela metade”. A defesa de Vorcaro recebeu o sinal de que, para que o acordo seja homologado, o colaborador precisa entregar um conjunto consistente de provas.

Procuradores recordaram que não se deve correr o risco de algo semelhante ao ocorrido na Lava-Jato, quando acordos de colaboração acabaram sendo questionados posteriormente por fragilidades e inconsistências. Alguns delatores apresentaram acusações sem comprovação, o que levou à anulação ou à revisão de trechos de investigações e processos.

Outro episódio mencionado nos corredores dos órgãos envolvidos foi o acordo de delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Desde sua homologação, o conteúdo da delação vem sendo alvo de críticas entre o próprio judiciário e membros do Ministério Público. “A percepção é que parte das informações apresentadas não trouxe elementos novos ou provas suficientes para sustentar as acusações”, afirmou a CNN.

Trabalho conjunto entre PF e PGR

Um ponto importante neste processo é o trabalho conjunto desenvolvido pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República. Especialistas apontam que essa colaboração entre os dois órgãos pode trazer mais agilidade ao processo e reduzir discordâncias, uma vez que o caso será conduzido simultaneamente pelas duas instituições.

A transferência de Daniel Vorcaro para a Superintendência da Polícia Federal, ocorrida de forma surpreendente, foi interpretada como uma senha para o encaminhamento do processo de colaboração premiada. Vorcaro também já assinou um termo de confidencialidade, mais um indicativo do avanço nas tratativas.

Para que a delação seja efetiva, Vorcaro terá que entregar mais do que aquilo que já chegou ao conhecimento dos investigadores e oferecer elementos comprobatórios. Somente a partir daí é que ele poderia negociar os benefícios com esse processo de colaboração premiada, como redução de pena ou progressão de regime. (Com informações de CNN)

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