Domingo, 08 de fevereiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 7 de fevereiro de 2026
O vice-presidente Geraldo Alckmin tem indicado a aliados que não deseja disputar cargo eletivo por São Paulo, estado que governou por quarto mandatos, caso seja descartado como vice de Luiz Inácio Lula da Silva em chapa à reeleição.
O entorno de Alckmin enxerga que há uma pressão de um núcleo do PT para que ele dispute uma vaga majoritária em São Paulo. Esse grupo pontua, no entanto, que o vice-presidente não está disposto a encarar o desafio.
Auxiliares que conversam sobre o tema com Alckmin argumentam que é mais fácil o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ser convencido de disputar o Palácio Bandeirantes, embora tenha dito reiteradas vezes que não deseja concorrer, do que Alckmin ser persuadido a abrir mão da vice.
Ex-adversários e aliados políticos desde a campanha de 2022, quando o ex-tucano foi peça central da estratégia petista em 2022 para ampliar as alianças e derrotar Jair Bolsonaro, Lula e Alckmin construíram uma relação de lealdade, com diálogo sem intermediários.
Ainda que o vice rejeite a hipótese de disputar as eleições em São Paulo, aliados ressaltam que Alckmin não deixará de ouvir Lula sobre o assunto.
A permanência de Alckmin na chapa voltou a ser questionada na quinta-feira, quando Lula admitiu pela primeira vez a possibilidade de excluir o aliado da disputa à Presidência.
O movimento ocorre no momento em que o PT busca atrair o MDB para fazer uma dobradinha na corrida ao Palácio do Planalto. Em entrevista ao Portal UOL, Lula disse que tanto Alckmin quanto Haddad, ou a ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB), podem ser candidatos ao governo de São Paulo.
— Nós temos muito voto em São Paulo e temos condições de ganhar as eleições em São Paulo. Eu ainda não conversei com o Haddad, ainda não conversei com o Alckmin, mas eles sabem que têm um papel para cumprir em São Paulo. Eles sabem. A Simone (Tebet) também tem um papel para cumprir, também não conversei com ela — afirmou Lula.
Para a cúpula petista, Haddad segue como único plano do partido para o governo de São Paulo. Petistas próximos a Lula afirmam que o presidente citou Alckmin para não deixar “Haddad sozinho” em meio a pressões reiteradas que o ministro vem sofrendo de colegas de Esplanada.
O assunto foi abordado, por exemplo, por Camilo Santana (Educação), Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) e Simone Tebet (Planejamento).
Parte dos aliados de Lula afirma que apostam que Alckmin seguirá onde está e que uma mudança na vice só ocorreria na hipótese de alteração significativa do cenário nacional que envolvesse a ida formal de legendas como MDB, PSD ou Republicanos para a chapa — o que não está no horizonte neste momento.
Esses petistas também pontuam que Alckmin poderia cumprir papel sendo o coordenador principal da campanha de Lula em São Paulo, sem necessariamente concorrer.
Geraldo Alckmin realizou o sonho de estar no Palácio do Planalto como vice de Lula e ministro da Indústria e Comércio, na avaliação de pessoas que convivem com ele.
No cargo, manteve boa relação com o PIB, empresários, entidades, prefeitos e cumpriu missões estratégicas ao país, como a negociação da crise do tarifaço gerada pela imposição dos Estados Unidos.
Aliados de Alckmin entendem que o estado de São Paulo mudou desde que o político deixou o Palácio Bandeirantes, em 2018. Além do enfraquecimento do PSDB, o interior paulista, antes tucano e território por onde Alckmin sempre navegou com desenvoltura, se aproximou do bolsonarismo e mantém forte resistência à gestão petista. Procurado, Alckmin não se manifestou.
Dentro do comando do PSB, partido do vice, Lula terá dificuldades para sugerir o escanteamento de Alckmin.
O presidente da legenda, João Campos, é candidato ao governo de Pernambuco, onde enfrentará a governadora Raquel Lyra (PSD), também próxima de Lula.
Correligionários de Campos afirmam que para ele é fundamental manter Alckmin de vice na chapa presidencial. Procurado, João Campos não se manifestou. Com informações do portal O Globo.