Quarta-feira, 18 de maio de 2022

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“Além de amortecedor, agora eu sou um para-raio do Posto Ipiranga”, diz Ciro Nogueira sobre Paulo Guedes

Ciro Nogueira assumiu uma função inédita na chefia da Casa Civil: além de se anunciar como amortecedor de Bolsonaro, agora diz que se tornou para-raio do ministro da Economia, Paulo Guedes. Expoente do Centrão e responsável pela articulação política do Palácio do Planalto com o Congresso, o presidente licenciado do PP ganhou neste mês o poder de definir a destinação do Orçamento do governo neste ano eleitoral. Antes, a chave dos cofres públicos ficava somente nas mãos de Guedes, o “Posto Ipiranga” do presidente que se desgastava com a classe política quando se opunha à gastança desenfreada.

Em paralelo a isso, Nogueira acumula outro papel: encabeçar o projeto de reeleição de Bolsonaro. Uma parte dessa missão envolve construir palanques nos estados. A outra está ligada a reverter a liderança do ex-presidente Lula nas pesquisas eleitorais. Não por acaso, o ministro passou a elevar os decibéis dos ataques contra o pré-candidato do PT, a quem apoiou em 2018.

“As pessoas pensam no Lula de 2002. Se você for comprar um celular para a sua filha, você vai comprar um celular de 2002 ou de 2022? Aquilo já passou. O Lula que está vindo aí não é o Lula para enfrentar a miséria e a fome. É o Lula para trazer de volta a Gleisi e o José Dirceu, essas pessoas que fizeram tanto mal e quebraram as estatais do nosso país”, afirma Nogueira, que também critica o ex-ministro da Justiça Sergio Moro: “O Moro é um conflito ambulante. O Moro, quando era juiz, queria ser político. Virou político e quer permanecer juiz. É uma pessoa com conflitos. Tenho minhas dúvidas se ele vai permanecer até o final.”

Veja os principais trechos desta entrevista.

Em seu discurso de posse na Casa Civil, o senhor disse que gostaria de ser lembrado como um amortecedor que diminuiria as tensões. Mas, no início deste ano, o presidente voltou a atacar ministros do Supremo Tribunal Federal. O senhor concorda com as críticas de Bolsonaro contra as decisões da Corte? Sou daqueles que defendem que decisão judicial se cumpre. Mas acredito que exista um ativismo judicial muito forte no país que passa por tirar algumas prerrogativas do Congresso Nacional de legislar. O que temos buscado é bom senso entre os Poderes, que cada Poder respeite suas atribuições, os seus direitos e sua competência. Esse é o nosso grande desafio. Temos contato permanente com Congresso e com Judiciário. Acho que já tivemos problemas maiores. Cheguei num momento de muita turbulência entre os Poderes e as instituições. Graças a Deus, conseguimos virar essa página. O caminho é de muita tranquilidade e equilíbrio. Nunca se deixou de cumprir uma decisão judicial. É o que importa. Costumo dizer que esse é um governo muito mais de ações do que palavras. O governo do presidente Bolsonaro nem discute ações. Discute palavras que são tiradas do contexto e têm muito mais repercussão do que as ações, que são as melhores possíveis.

O espaço que o seu partido ganhou no governo, com indicações em órgãos relevantes, também foi crucial para apoiar o presidente Jair Bolsonaro? Começamos a apoiar o governo do presidente Bolsonaro muito antes dele escolher qualquer técnico para os nossos cargos. Só pegar as votações não só do Progressistas mas também de outros partidos. Começamos a apoiar muito antes de receber (os cargos). É lógico que houve uma aproximação, e o presidente passou a escolher técnicos do meu partido. Quando cheguei à Casa Civil, vim só com a minha chefe de gabinete. Nos governos Fernando Henrique, Dilma, Lula e até do Michel Temer, se entregavam os ministérios de porteiras fechadas, e o presidente não tinha a menor ingerência. Hoje não acontece isso. Nós mudamos a forma de fazer política. Hoje os partidos estão no governo porque têm identificação com o projeto do presidente Bolsonaro.

Se o ex-presidente Lula ganhar as eleições, o senhor se sentará para conversar com ele ou se manterá na oposição? Ele não vai ganhar. Não me vejo mais ao lado do Partido dos Trabalhadores.

O União Brasil também conversa com Sergio Moro. Como o senhor vê a candidatura do ex-ministro da Justiça? O Moro é um conflito ambulante. O Moro, quando era juiz, queria ser político. Virou político e quer permanecer juiz. É uma pessoa com conflitos. Tenho minhas dúvidas se ele vai permanecer até o final. (Com informações do Jornal O Globo)

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