Sexta-feira, 06 de fevereiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 5 de fevereiro de 2026
O vírus Nipah (NiV) é considerado uma das ameaças mais graves à saúde pública global por sua alta taxa de letalidade e potencial de causar surtos. Identificado pela primeira vez em 1998, durante um surto na Malásia, o patógeno pode matar entre 40% e 75% das pessoas infectadas, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
O Nipah é um vírus zoonótico, ou seja, transmitido de animais para humanos. Seu principal reservatório natural são morcegos frugívoros do gênero Pteropus, conhecidos como “raposas-voadoras”. A transmissão pode ocorrer pelo contato direto com esses animais, pelo consumo de alimentos contaminados — como frutas ou seiva de tamareira — ou ainda de pessoa para pessoa, especialmente em ambientes hospitalares e familiares.
Desde sua descoberta, surtos foram registrados principalmente no sul e sudeste da Ásia, com destaque para Bangladesh e Índia, onde episódios recentes voltaram a acender o alerta das autoridades sanitárias. De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), o vírus não se espalha com facilidade como a Covid-19, mas sua gravidade e ausência de tratamento específico o tornam extremamente preocupante.
Os sintomas iniciais incluem febre, dor de cabeça, dores musculares, vômitos e dor de garganta. Em muitos casos, a infecção evolui rapidamente para encefalite (inflamação cerebral), causando confusão mental, convulsões e coma em poucos dias. Sobreviventes podem apresentar sequelas neurológicas duradouras, como alterações de personalidade e dificuldades cognitivas.
Atualmente, não existe vacina aprovada nem tratamento antiviral específico contra o Nipah. O manejo dos pacientes baseia-se em cuidados intensivos e suporte clínico, como controle respiratório e neurológico. A OMS mantém o vírus na lista de patógenos prioritários para pesquisa e desenvolvimento de vacinas, ao lado de doenças como Ebola e Marburg.
Especialistas reforçam que a prevenção é a principal estratégia. Isso inclui evitar o consumo de alimentos potencialmente contaminados, reduzir o contato com morcegos e animais doentes, além de adotar medidas rigorosas de controle de infecção em serviços de saúde.
Embora raro, o vírus Nipah representa um risco significativo por seu alto índice de mortalidade e pela possibilidade de mutação. Por isso, autoridades de saúde globais monitoram de perto novos casos e reforçam a importância da vigilância epidemiológica contínua.