Sábado, 13 de julho de 2024

Alexandre de Moraes atende a Polícia Federal e prorroga pela nona vez inquérito sobre milícias digitais que atinge Bolsonaro

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), prorrogou por mais 90 dias o inquérito das milícias digitais, que investiga a atuação de grupos organizados na internet para atacar a democracia.

O despacho cita que há “diligências ainda pendentes”, sem especificar quais. É a nona vez que o prazo para conclusão da investigação é estendido com a mesma justificativa.

“Considerando a necessidade de prosseguimento das investigações, com a realização das diligências ainda pendentes, nos termos previstos no art. 230-C, § 1º, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal , prorrogo por mais 90 (noventa) dias a presente investigação”, escreveu o ministro.

Moraes atendeu a pedido do delegado Fábio Alvarez Shor, que conduz o inquérito e pediu, em dezembro, mais tempo para concluir o caso.

A investigação das milícias digitais foi aberta a partir do compartilhamento do material colhido no inquérito dos atos antidemocráticos. Na ocasião, o caso precisou ser arquivado por determinação da Procuradoria-Geral da República (PGR). Antes de encerrá-lo, porém, Moraes autorizou o intercâmbio de provas e mandou rastrear o que chamou de “organização criminosa”.

A suspeita é a de que apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tenham se organizado nas redes sociais para incentivar ataques contra as instituições democráticas. A Polícia Federal (PF) também investiga se a articulação da base bolsonarista envolveu dinheiro público. O ex-presidente está entre os investigados.

Em um relatório parcial da investigação, remetido ao STF em fevereiro de 2022, a PF afirmou que os elementos colhidos até então corroboravam a hipótese de uma “atuação orquestrada” para promover desinformação e ataques contra adversários e instituições com objetivo de “obter vantagens para o próprio grupo ideológico e auferir lucros diretos ou indiretos por canais diversos”.

Prédio

A Turma Recursal Criminal do TJ-SP negou, nessa segunda-feira (22), argumento da defesa de Antonio Carlos Bronzeri e Jurandir Alencar. Os advogados alegaram que o caso seria um “fato típico”, ou seja, não configuraria crime.

Os dois foram condenados em maio de 2022 por perturbação de sossego a 19 dias de prisão em regime aberto.

O juiz relator Waldir Calciolari disse que há provas suficientes para comprovar a criminalidade. “A palavra da vítima, das testemunhas e os laudos juntados aos autos, são mais que suficientes para ensejar a incriminação, por conta da perturbação aos moradores do condomínio de residência da vítima e adjacências.”

Calciolari também ressaltou que os vizinhos de Moraes foram afetados. “Os vizinhos também ficaram à mercê do som alto e gritarias, sendo a vítima enfática ao descrever que o apelantes alternavam-se no uso do microfone, insuflando os demais manifestantes a gritarem também.”

O protesto aconteceu em maio de 2020, no bairro de Pinheiros, em São Paulo. O engenheiro e o autônomo usaram uma caixa de som para chamar o ministro de “canalha”, “pilantra”, “comunista”, “vagabundo”, “traidor” e “advogado do PCC”.

Os policiais militares que atenderam a ocorrência também relataram ter ouvido ameaças a Moraes. Jurandir e Antonio chegaram a ficar preventivamente por 49 dias.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de em foco

Líder do PSDB no Senado assinou nota contra Alexandre de Moraes sem aval do partido, diz seu presidente
Veja como está a situação do fornecimento de energia elétrica, água e telefonia no Estado
Pode te interessar
Baixe o app da TV Pampa App Store Google Play