Sábado, 20 de junho de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 19 de junho de 2026
Preso no Comando da 1ª Divisão de Exército, Walter Braga Netto está com a agenda cheia até outubro. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes autorizou de uma vez só 17 visitas ao ex-vice de Jair Bolsonaro, todas já marcadas ao longo dos próximos quatro meses.
Na lista, estão os líderes do PL no Senado e da oposição na Câmara dos Deputados, Carlos Portinho e Cabo Gilberto, e ex-ministros de Bolsonaro, como Damares Alves, Fábio Wajngarten e Marcelo Queiroga, além dos generais Luiz Eduardo Ramos e Eduardo Pazuello.
O restante é basicamente um grupo de militares. Entre eles, Waldir Ferraz, fiel escudeiro de Bolsonaro; Eduardo José Barbosa, ex-presidente do Clube Militar; Sérgio José Pereira, ex-secretário-geral do Ministério da Defesa e Laerte de Souza Santos, o “general das armas”, como ficou conhecido por revogar portarias que regulamentavam o rastreamento de armas e munições nas mãos de civis.
Braga Netto foi condenado a 26 anos de prisão por participação na trama golpista em 2022, acusado de cinco crimes, entre eles a tentativa de abolição do Estado democrático de Direito.
Cursos
Moraes também autorizou o general da reserva a participar de atividades de capacitação profissional. O magistrado determinou que o Exército apresente informações sobre a possibilidade de acompanhamento do militar durante a realização dos cursos.
A decisão foi proferida depois da manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR) à solicitação da defesa de Braga Netto. A deliberação integra os autos da execução penal do ex-ministro e ex-candidato a vice-presidente na chapa de Jair Bolsonaro em 2022.
No despacho, Moraes afirmou que acolheu o parecer da PGR e autorizou a participação do apenado nas atividades requeridas pela defesa.
Além da autorização, Moraes determinou que o Comando da 1ª Divisão de Exército e a Guarnição da Vila Militar informem ao Supremo, no prazo de 48 horas, se há condições de acompanhar e supervisionar Braga Netto durante a realização de cursos de qualificação.
O ministro citou especificamente o curso “Gestão de projetos” e, de forma subsidiária, os cursos “Gestão de riscos e crises”, “Planejamento estratégico” e “Gestão de segurança privada”.
Na mesma decisão, Moraes solicitou ao Exército informações sobre eventual programa estruturado de remição de pena por leitura. Segundo o despacho, a Corte quer avaliar a existência do mecanismo e as condições para sua aplicação ao militar. (Com informações do colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, e da Revista Oeste)