Sexta-feira, 27 de março de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 26 de março de 2026
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, solicitou explicações ao Exército sobre a realização de uma visita não autorizada ao ex-ministro da Defesa Walter Braga Netto por um general da reserva. De acordo com informações encaminhadas ao magistrado, também foram registradas visitas de familiares fora dos dias permitidos.
Braga Netto foi condenado a 26 anos de prisão por envolvimento na chamada trama golpista e encontra-se detido na 1ª Divisão do Exército, localizada no Rio de Janeiro. O cumprimento da pena ocorre sob regras específicas determinadas pela Justiça, incluindo limitações quanto a visitas e outras atividades.
As informações constam em relatório encaminhado semanalmente pelo Comando da 1ª Divisão do Exército ao ministro do STF. No documento mais recente, que abrange o período entre os dias 7 e 14 de março, foram identificadas inconsistências relacionadas às visitas recebidas pelo general nesse intervalo.
Segundo o relatório, houve um encontro não autorizado, além da realização de visitas em dias não previstos nas regras estabelecidas. Pelas normas em vigor, Braga Netto está autorizado a receber visitas apenas às terças, quintas e domingos, no horário compreendido entre 14h e 16h.
Ainda de acordo com o documento, no dia 9 de março, o general recebeu a visita do general de brigada da reserva Sérgio Borges Medeiros da Silva, sem autorização prévia do ministro Alexandre de Moraes. Já nos dias 13 e 14 de março, que corresponderam a uma sexta-feira e a um sábado, respectivamente, foram registradas visitas de familiares, também fora dos dias permitidos.
O relatório aponta ainda a ocorrência de assistência religiosa ao general preso sem autorização judicial prévia. A realização desse tipo de atividade também está sujeita a autorização específica, conforme as regras estabelecidas para o cumprimento da pena.
Diante das informações apresentadas, Alexandre de Moraes determinou o envio de esclarecimentos por parte da 1ª Divisão do Exército. No pedido, o ministro requisita que a unidade militar detalhe as circunstâncias das visitas e da assistência religiosa, mencionando expressamente a necessidade de explicação “para que esclareça as inconsistências identificadas”.
O caso segue sob análise do STF, que acompanha o cumprimento das condições impostas à prisão do general. As informações foram divulgadas com base em dados do relatório oficial e incluem, ainda, registros administrativos sobre a rotina de visitas no local de detenção. (Com informações de O Estado de S. Paulo)