Sexta-feira, 20 de março de 2026

Aliados de Lula defendem que Lulinha retorne ao Brasil antes de pedido do ministro André Mendonça para ele depor

Aliados de Luiz Inácio Lula da Silva têm defendido que o filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, retorne ao Brasil antes de ser chamado pela Polícia Federal para depor. As suspeitas de envolvimento de Lulinha com o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, vêm pressionando o governo e gerando desgaste. O lobista é um dos principais investigados no esquema de descontos indevidos em aposentadorias.

Na semana passada, o advogado de Lulinha, Marco Aurélio de Carvalho, afirmou a André Mendonça que Lulinha está à disposição para vir ao Brasil depor, caso seja chamado pela PF.

Integrantes do governo, no entanto, afirmam, em caráter reservado, que Lulinha deveria se antecipar ao pedido do ministro e retornar ao Brasil para evitar que a oposição use como arma política durante a corrida eleitoral o fato de filho investigado de Lula morar no exterior.

Nos bastidores do Palácio do Planalto, auxiliares também defendem que Lulinha deveria vir a público se defender.

Em duas conversas por telefone com o filho, Lula orientou que o filho mais velho preste todos os esclarecimentos necessários sobre o caso e esteja à disposição das instituições. O presidente também teria dito que, se o filho for inocente, deve se defender.

Pessoas próximas a Lula afirmam que Lula não tem tratado sobre eventual retorno de Lulinha ao Brasil.

Embora tenha se colocado à disposição, a defesa de Lulinha afirma que não há intenção de Fábio Luis retornar ao Brasil sem ser chamado. Lulinha mora Madri, na Espanha, desde 2024. A defesa afirma que primogênito de Lula tem vida estabelecida no país, com a esposa e onde seus filhos estudam.

“Fábio é um homem que não se esconde, mas não é um cara do embate. Não tem por que voltar sem motivo. Esse desejo se dá pela sensação de segurança que a defesa deu, estamos exaurindo cada uma das teses contra ele”, afirma Marco Aurélio de Carvalho.

O avanço das investigações tem preocupado o Palácio do Planalto. A apuração de suspeitas de ligações do Lulinha com personagens das fraudes no INSS é a principal aposta da oposição para desgastar o presidente.

Aliados de Lula têm usado discurso de “transparência total” quanto às contas de Lulinha e comparado com as mudanças feitas por Bolsonaro na PF: com a troca de diretores e o constrangimento ao então ministro da Justiça Sérgio Moro.

A defesa admitiu ao STF que Lulinha que fez uma viagem a Portugal ao lado “careca do INSS”. A viagem teria sido custeada por Antônio Carlos, segundo relatos já reunidos no inquérito e pela própria defesa de Lulinha.

A defesa de Lulinha afirma que o deslocamento teve caráter pontual e sem relação com o esquema investigado. Segundo a defesa, a viagem a Portugal teria ocorrido em novembro de 2024 com a intenção de que o empresário conhecesse uma fábrica de produtos com base em canabidiol, mas não gerou vínculos comerciais ou negociações.

A defesa de Lulinha também alega que ele ofereceu mostrar suas contas antes mesmo do pedido de quebra de sigilo do INSS e aponta que sua movimentação financeira não tem qualquer relação com a fraude no instituto.

Apesar disso, governistas aliados ao Centrão vêm se movimentando para enterrar a CPI do INSS. A avaliação, hoje, é que o caso deixou de representar apenas um problema para o governo e passou a atingir também lideranças e quadros relevantes do centro e da direita. Governistas e dirigentes do Centrão passaram a atuar contra o prolongamento das apurações feitas pelo colegiado, cujo prazo termina na próxima semana. Sem ambiente político para convencer a cúpula do Legislativo, a CPI recorreu ao STF na tentativa de garantir sobrevida. (Com informações do jornal O Globo)

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