Domingo, 25 de fevereiro de 2024

Aliados do presidente do PL viram investida de clã Bolsonaro para tomar o comando do partido

Desde o fim da eleição presidencial, a animosidade entre lideranças da chamada ala moderada do PL e o clã Bolsonaro vem numa crescente. Um dos principais motivos foi a percepção de aliados do presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, de que os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro agiam, nos bastidores, para tentar se apropriar do comando do partido. A insatisfação maior é com o senador Flávio Bolsonaro, apontado como nome favorito do clã para ser o presidente da legenda.

Traição

Integrantes do PL  se sentiram traídos com o movimento, especialmente pela lealdade que Valdemar da Costa Neto demonstra a Bolsonaro. Após a derrota na eleição, o cacique chegou a anunciar o ainda presidente Jair Bolsonaro (PL) será o candidato da sigla à Presidência em 2026. Ele também anunciou ter convidado o chefe do Executivo para assumir a presidência de honra da sigla e compor a executiva nacional.

Questionado na época se a sigla apoiaria Bolsonaro caso ele questione o resultado das eleições, Valdemar afirmou que o chefe do Executivo é o “capitão” do partido. “Bolsonaro é o nosso capitão, vamos seguir ele no que for preciso”, disse.

Costa Neto chegou a definir um cargo remunerado para o ex-presidente e a sua esposa, Michelle Bolsonaro.

Permanência nos Estados Unidos

Essa lealdade é um dos motivos apontados por uma ampla ala da sigla que passou a defender a permanência do ex-presidente nos Estados Unidos.

Antes dos atos extremistas de 8 de janeiro, a cúpula do PL avaliava que Bolsonaro deveria retornar ao Brasil para recuperar o capital político e se firmar como voz de oposição a Lula. Agora, a leitura é que o melhor para o capitão reformado e para o PL é que ele fique longe e submerja.

Movimentos anteriores

Em novembro, Jair Bolsonaro avisou a seus aliados que, a partir de 2023, trabalharia para substituir Valdemar Costa Neto no comando do PL. O ex-presidente já pretendia colocar seu filho Flávio no lugar. Com este movimento, o então presidente esperava controlar a legenda.

Bolsonaro sabia, porém, que, para controlar o partido nacionalmente precisaria, antes, empoderar bolsonaristas nas sessões estaduais. Um exemplo desta estratégia é o Distrito Federal, onde o nome seria a deputada federal Bia Kicis. A presidente do partido no Distrito Federal era a deputada (não reeleita) Flávia Arruda, esposa de José Roberto Arruda e ligada a Valdemar. Segundo sua lógica, minando pelo menos os principais diretórios estaduais ficaria mais fácil tomar o comando de Valdemar da Costa Neto dentro do Partido Liberal.

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