Quinta-feira, 26 de março de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 25 de março de 2026
O aumento do diesel, impulsionado pela guerra no Irã, já começa a impactar o custo do transporte no Brasil – e o reflexo chega ao consumidor. Com a elevação do preço do combustível, empresas do setor logístico têm ajustado suas operações para absorver parte dos custos, mas também repassam esse impacto ao longo da cadeia, o que tende a pressionar preços em diferentes segmentos da economia.
Um levantamento da associação que representa o setor de transporte de cargas e logística aponta que o frete já registra alta média de cerca de 10%. Com o combustível mais caro, empresas têm repassado os custos para os clientes. O impacto já é sentido em todo o país e, em algumas regiões, pode chegar a 50%, dependendo da distância, do tipo de carga transportada e das condições específicas de cada rota.
Como o diesel representa até metade dos custos do transporte, o impacto é direto no frete. Em uma transportadora em Guarulhos, na Grande São Paulo, o valor do frete subiu 12%. Esse cenário reflete a dificuldade das empresas em manter margens operacionais diante da volatilidade dos preços dos combustíveis, especialmente em um contexto de instabilidade internacional.
A alta tem gerado reações entre os clientes, que também enfrentam desafios para equilibrar seus próprios custos.
“Tivemos algumas reclamações de clientes dizendo que o preço está muito alto. Mas o mercado está volátil e tudo vem subindo”, afirma Luigi Rosolen, diretor da West Cargo. A fala ilustra a percepção de que o aumento não ocorre de forma isolada, mas acompanha uma tendência mais ampla de encarecimento de insumos e serviços.
A Associação Nacional de Transportes de Cargas e Logística confirma a tendência de aumento.
“Em média, nós podemos dizer que o frete está sendo corrigido na ordem de 10%. Sem dúvida nenhuma, todo o frete tem que ser repassado para o seu que vai colocar na planilha de custo dele”, diz Eduardo Rebuzzi, presidente da NTC&Logística. Segundo ele, o repasse é inevitável diante da estrutura de custos do setor.
O professor de economia do Insper Otto Nogami destaca que o impacto é ampliado pela forte dependência do transporte rodoviário no País.
“Para se ter uma ideia, 60% do transporte de cargas é feito por caminhão”, ressalta. Esse fator contribui para que variações no preço do diesel tenham efeito disseminado na economia, atingindo desde grandes cadeias produtivas até pequenos negócios.
No campo, as consequências também já são sentidas. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) cancelou contratos de frete por causa do aumento do combustível e analisa outros casos individualmente. A medida busca garantir o transporte de grãos e evitar prejuízos no abastecimento, diante do encarecimento das operações logísticas.
Em nota, a Conab informou que as ações visam assegurar a continuidade do programa de venda em balcão, que facilita o acesso de pequenos produtores a insumos. A companhia avalia alternativas para manter o fluxo de distribuição sem comprometer os custos.
Já a Petrobras informou que todas as refinarias estão operando com capacidade máxima e que todo o combustível produzido está sendo entregue ao mercado. A estatal afirmou ainda que antecipou as entregas de março, que estão até 15% acima do volume previamente negociado com distribuidoras, e disse que vem cumprindo todos os compromissos comerciais, em meio ao cenário de maior demanda e pressão sobre os preços.