Sábado, 25 de junho de 2022

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Alteração na menstruação afetou 80% das mulheres na pandemia

Um estudo da Universidade Federal de Lavras (UFLA) identificou que 77% das mulheres tiveram alteração no seu ciclo menstrual durante a pandemia. A pesquisa, coordenada por Bruno Del Bianco Borges, englobou aproximadamente 940 mulheres em idade reprodutiva de cinco regiões do País. As participantes foram divididas em dois grupos: mulheres que tiveram a covid-19 e mulheres não infectadas.

Em torno de 97% das mulheres avaliadas reclamaram de problemas relacionados à saúde mental. Entre as não infectadas pelo vírus, 98% relataram alterações no ciclo menstrual. No grupo das mulheres que testaram positivo para covid-19, o percentual foi de 80%.

As não contaminadas relataram aumento de estresse, ansiedade, nervosismo e insônia. A maioria das mulheres (90%) que tiveram múltiplos novos sintomas relacionados à saúde mental tiveram alterações no ciclo, o que indica a relação entre os dois fatores.

Fernanda Torras Correia, médica ginecologista e mastologista, acredita que estresse e tensão durante o isolamento social são os principais responsáveis por essas ocorrências. “O nosso estado emocional pode impactar na qualidade do ciclo menstrual quando temos estresse, distúrbios emocionais como depressão, ansiedade”, diz a especialista. A alteração menstrual acontece quando há algum tipo de mudança no processo natural que nosso corpo faz até a vinda da menstruação, segundo a médica.

O nosso corpo, diz Fernanda, dá sinais quando nosso ciclo está desregulado. “O momento em que vivemos traz uma carga imensa de ansiedade e estresse, causando mudanças no número de dias do ciclo menstrual, número de dias de menstruação, fluxo menstrual, coloração e odor da menstruação, além de alterações na libido, dependendo dos dias da menstruação da paciente se ela desejar engravidar o ciclo desregulado pode causar dificuldades”, diz a ginecologista.

— Como a alteração no ciclo ocorre?

Fernanda explica que o cortisol altera os padrões de secreção de um hormônio chamado GNRH que, consequentemente, altera a secreção de dois outros hormônios essenciais ao funcionamento ovariano e a ovulação: o luteinizante (LH) e o folículo estimulante (nomeado FSH).

“Quando os níveis de LH e FSH são baixos, os ovários podem não produzir estrogênio adequado para ocorrer a ovulação e, consequentemente, a menstruação, causando as alterações no ciclo menstrual. Essas alterações não resultam necessariamente na cessação total do ciclo menstrual, podendo levar desde o início do sangramento antes do esperado (ciclos mais curtos) até atrasos menstruais que duram meses”, pontua.

— Uso pílula devo me preocupar?

Mulheres que tomam pílula não experimentam esse tipo de atraso no ciclo menstrual. “Isso porque a pílulas fazem com que as mulheres tenham uma menstruação ‘artificial’, ou seja, a menstruação não acontece pelos hormônios naturais, mas pela ingestão de hormônios contidos na pílula (estrogênio e progesterona) e independe do funcionamento do ovário”, afirma.

— Minha menstruação está atrasada e agora?

Atrasos menstruais não são normais e nem sempre significam gravidez, eles devem ser sempre avaliados por um especialista, segundo Fernanda. “Qualquer mulher com atraso menstrual, que não utiliza nenhum contraceptivo, primeiramente deve excluir uma gestação. Excluída a gestação, aconselho a mulher a realizar registros dos ciclos menstruais e qualquer sintoma relacionado a ele, por três meses. Se o seu ciclo menstrual continuar anormal, procure avaliação médica. Se houver parada total da menstruação, vá ao especialista antes desse período”, orienta a especialista.

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