Segunda-feira, 17 de junho de 2024

Anatel estuda tecnologia por trás de criptomoedas para combater fake news

A tecnologia blockchain, mais conhecida pelo uso em transações de criptomoedas, tem sido estudada para combater a disseminação de desinformação (“fake news”) e discursos de ódio na internet. O projeto vem sendo desenvolvido pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) em parceria com a Universidade Federal de Goiás (UFG).

“Nosso objetivo é usar a tecnologia de algoritmos de geração de consenso descentralizados para criar uma solução comunitária e descentralizada de ‘fact checkers’”, contou o presidente da Anatel, Carlos Baigorri, ao descrever como deve funcionar a ferramenta de checagem de informação a partir do blockchain.

Baigorri reivindica para a Anatel o papel de supervisão das plataformas digitais. Ele defende que a nova competência da agência seja definida no PL das “Fake News”, com votação esperada para esta semana na Câmara dos Deputados. A proposta já chegou a prever uma autoridade autônoma de supervisão, o que foi retirado da versão atual.

Sobre a tecnologia de combate a fake news, o presidente da agência disse que será preciso contar com a contribuição de veículos profissionais de imprensa que devem trabalhar de forma colaborativa. Para ele, isso é fundamental porque afasta a ideia de ter uma “autoridade central” para fazer a classificação de conteúdo, que remete ao risco de censura de postagens e perfis na internet.

“A tecnologia cria uma espécie de comunidade aberta, fluida, onde pessoas que não se conhecem de forma alguma geram um consenso sobre algum assunto por meio de interações”, afirmou Baigorri, em entrevista ao Valor. Ele disse que esteve com o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Alexandre de Moraes, para falar sobre o projeto e construir acordo de cooperação com a corte para iniciativas de combate à fake news.

Algoritmos PoS

Ao dar detalhes técnicos sobre a ferramenta estudada, o presidente da Anatel explicou que o bitcoin, por exemplo, usa o blockchain com o algoritmo chamado “proof of work” (PoW), mas existem outros semelhantes. No projeto com a UFG, a ideia é usar algoritmos do tipo “proof of stake” (PoS) para classificação de conteúdo. Segundo ele, estes são conceitos que fazem parte da Web 3.0.

Para Baigorri, a experiência com o uso do blockchain como arma para combater fake news demonstra o quanto a Anatel tem se envolvido em assuntos do ecossistema digital. A agência tem liderado, disse, debates em fóruns internacionais, especialmente aqueles vinculados à União Internacional de Telecomunicações (UIT), ligada à ONU, sobre inteligência artificial, metaverso, entre outros assuntos.

 

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