Quarta-feira, 18 de maio de 2022

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Ao contrário dos Estados Unidos, líderes da Ucrânia demonstram calma diante da ameaça da Rússia. Saiba por quê

É fácil ver a concentração de forças da Rússia na fronteira com a Ucrânia. Imagens de satélite mostram tanques cobertos de neve ocupando trechos cada vez mais longos da fronteira. Mas, apesar do acúmulo de forças – e mesmo com a advertência dos Estados Unidos de que um ataque pode ocorrer em breve, e as forças da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) em alerta -, o governo da Ucrânia tem minimizado a ameaça russa.

Esse comportamento deixou analistas intrigados, tentando adivinhar a motivação dos líderes ucranianos, alguns dizem que é para manter os mercados do país estáveis, evitar pânico e evitar provocar Moscou, enquanto outros atribuem a calma à aceitação desconfortável de que um possível conflito com a Rússia faz parte da vida cotidiana ucraniana.

Mas, enquanto o Kremlin e a aliança militar ocidental se enfrentam, as autoridades ucranianas aparentam um ar de calma. Nesta semana, o ministro da Defesa da Ucrânia afirmou que não houve mudança nas forças russas em comparação com a que havia no primeiro semestre do ano passado; o chefe do Conselho de Segurança Nacional acusou alguns países ocidentais e meios de comunicação de exagerarem o perigo para fins geopolíticos; e um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores criticou os Estados Unidos e o Reino Unido por retirarem as famílias dos diplomatas de suas embaixadas em Kiev, dizendo que eles agiram prematuramente.

As declarações aconteceram depois de um discurso à nação na semana passada do presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, no qual ele perguntou: “O que há de novo? Não é esta a realidade há oito anos?” Na noite de terça-feira, Zelensky criticou a retirada de pessoal das embaixadas, e afirmou em uma postagem no Facebook que isso “não significa que um acirramento do conflito seja inevitável”.

Como interpretar os soldados e equipamentos russos concentrados na fronteira da Ucrânia é assunto de intenso debate. O próprio serviço de Inteligência militar da Ucrânia agora diz que há pelo menos 127 mil soldados na fronteira, significativamente mais do que foram mobilizados pela Rússia na mobilização do início de 2021.

Esse número ainda não inclui os militares e equipamentos que chegam agora à vizinha Bielorrússia, aliada da Rússia, para exercícios militares no próximo mês. Os Estados Unidos dizem que esses exercícios podem ser usados como pretexto para posicionar forças a uma curta distância de Kiev, a capital ucraniana.

Depois de oito anos de conflito com separatistas pró-Moscou no Leste do país, os ucranianos simplesmente calculam a ameaça de forma diferente de seus aliados ocidentais. Em 2014, unidades de comando russos anexaram a Península da Crimeia e teve início o conflito com separatistas em duas províncias na fronteira russa.

Nesse conflito, as tropas ficam posicionadas em trincheiras cavadas nos dois lados de uma chamada linha de contato, onde com frequência ocorrem trocas de tiro e de bombas. Mais de 13 mil pessoas morreram no conflito.

Sem medo

Membros do governo ucraniano argumentam que semear pânico e desordem na sociedade ucraniana faz parte da estratégia russa, tanto quanto qualquer eventual ação militar. Portanto, mostrar medo, mesmo que haja uma base para isso, concederia uma vitória a seus inimigos antes que um único tiro seja disparado.

Do outro lado, os Estados Unidos têm suas próprias razões para as mensagens veementes sobre o Kremlin. Washington precisa enviar uma mensagem forte tanto a Moscou quanto a aliados na Europa como a Alemanha, que podem hesitar em adotar uma postura dura contra a Rússia, disse Maria Zolkina, analista política da Fundação de Iniciativas Democráticas, um instituto de pesquisa com sede em Kiev.

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