Sexta-feira, 09 de janeiro de 2026

Ao menos 46 perfis em redes sociais fazem um bombardeio digital com ataques simultâneos contra o Banco Central e investigadores no caso do Banco Master

Ao menos 46 perfis em redes sociais fazem um bombardeio digital com ataques simultâneos contra o Banco Central e investigadores no caso do Banco Master.

A prática já vinha sendo observada durante o processo de análise pelo órgão regulador da venda do banco para o BRB (Banco de Brasília), mas cresceu nos últimos dias em meio à guerra jurídica no STF (Supremo Tribunal Federal) e no TCU (Tribunal de Contas da União) travada entre os investigadores e os advogados do Master.

Os influenciadores vêm publicando posts com informações enviesadas sobre os acontecimentos em torno da liquidação do Master, com críticas à atuação do BC e à liquidação do Master.

Chama a atenção o fato de que boa parte dos perfis de influenciadores recrutados serem de fofoca, sem ligação com assuntos econômicos.

O ex-diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do BC, Renato Gomes, é um dos principais alvos. Foi a área dele que recomendou o veto à compra do Master pelo BRB e subsidiou os achados posteriormente relatados ao Ministério Público Federal.

A ofensiva digital também mira o presidente do BC, Gabriel Galípolo, seus familiares, o diretor de Fiscalização, Aílton de Aquino Santos, além de banqueiros e associações do setor financeiro que organizaram uma contra-ofensiva em defesa da autoridade monetária por meio de uma série de notas de apoio à decisão técnica de liquidar o Master em novembro.

Numa postagem de quatro dias atrás no Instagram, em 2 de janeiro, o perfil @divasdohumor relata que a gestão de Renato Gomes no BC deixou um cenário de instabilidade no mercado financeiro. “Mudanças regulatórias frequentes, interpretações voláteis das normas e ausência de sinalização clara ampliaram a insegurança jurídica”, diz a postagem. Gomes deixou a diretoria do BC em 31 de dezembro.

“O papel do Banco Central é reduzir incertezas. Quando decisões são mal explicadas, o efeito se espalha por todo o sistema, atingindo grandes instituições e também o crédito na ponta”, acrescenta a postagem. A publicação anterior do perfil trata de uma conversa entre Nicole Bahls e Gil do Vigor, e a seguinte, do papel das tias na educação de crianças.

A interlocutores, o ex-diretor tem dito que não tem como “dignificar as besteiras” que têm sido publicadas.

Antes da rejeição da compra do Master pelo BRB, uma foto do diretor foi exposta em outdoors espalhados pela cidade de Brasília como uma forma de pressão. A estratégia acabou ampliando o espírito de corpo no colegiado do BC, que, por unanimidade, acatou o parecer de Gomes e vetou o negócio em setembro.

O presidente da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), Isaac Sidney, também ficou na mira. A entidade fez um mapeamento sobre os ataques sofridos por ela e afirmou, em nota, que identificou volume atípico de postagens em dezembro que a mencionam. Disse, ainda, que está analisando se o caso poderia ser caracterizado como um ataque coordenado.

Outro perfil que participa da ofensiva contra o BC é o @Festadafirma. Em 31 de dezembro, ele postou um conteúdo sobre o caso na sua página do Instagram sobre os depoimentos prestados naquele dia por Vorcaro e pelo presidente do BRB à PF (Policia Federal). A página é administrada pela Banca Digital, agência de marketing na internet.

A Banca Digital informou que foi procurada para divulgar conteúdo sobre o Banco Master, mas que declinou o convite na hora. A empresa afirmou que a postagem do perfil @Festadafirma “foi um post orgânico sobre um tema pertinente aos tratados na página. Não houve nenhum tipo de negociação ou remuneração para que esse conteúdo fosse publicado”.

“O @festadafirma também, no último 18 de novembro, repercutiu reportagem sobre a liquidação do mesmo banco, publicada pelo ‘Valor Econômico’”, acrescentou. O perfil @Festadafirma, prosseguiu, tem um contrato de representação prioritária com a Banca Digital, na qual ela representa comercialmente o perfil, “que também pode fechar parcerias e trabalhos por conta própria”.

A publicação reproduz um texto do site Notjournal, que mimetiza um site jornalístico, dizendo que na acareação entre os dois, ocorrida após os depoimentos, não houve bala de prata. Ele usa o ocorrido para criticar a atuação do Banco Central, afirmando que se houvesse uma fraude escandalosa ela teria sido exposta na acareação. (Com informações da Folha de S.Paulo)

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