Sexta-feira, 29 de maio de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 28 de maio de 2026
Se está ruim para você, imagina para os primos de Kane Parsons. Aos 20 anos, o youtuber faz sua estreia em Hollywood com o terror “Backrooms: Um não-lugar”, que chegou aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (28) – com a possibilidade real de liderar as bilheterias americanas em seu fim de semana de lançamento.
Especialistas projetam que o filme deve arrecadar entre US$ 40 milhões e US$ 50 milhões no período nos Estados Unidos. O que deve ser um recorde para o estúdio independente A24 – um dos mais bombados de Hollywood nos últimos anos.
Para chegar à marca, “Backrooms” combina dois atores indicados ao Oscar, Chiwetel Ejiofor (“12 anos de escravidão”) e Renate Reinsve (“Valor sentimental”), para adaptar a série criada pelo diretor no YouTube a partir de uma lenda urbana da internet – ou “creepypasta”, como dizem os jovens.
Só o primeiro vídeo, publicado em 2022 quando Parsons tinha 16 anos, conseguiu 20 milhões de visualizações em duas semanas. Atualmente, o número chega aos 78 milhões – e há 22 capítulos no total. Com durações que variam entre menos de 2 minutos e mais de 45, poucos foram vistos menos de um milhão de vezes.
O cineasta – também conhecido como Kane Pixels na plataforma – diz que estrear como cineasta justamente com uma história que domina tanto ajudou a não se intimidar na hora de comandar as gravações.
“Consigo reconhecer totalmente como essa situação é absurda. E eu pedi para estar nela”, afirma ele, em entrevista ao g1.
“Eu sei como construir esse mundo. Estou muito familiarizado com ‘Backrooms’ e definitivamente não tenho nenhum tipo de confusão criativa. Então, foi mais uma questão de apenas comunicar o que eu quero, de uma maneira muito normal.”
A foto amarelada no começo de tudo
O cineasta considera “Backrooms” como uma espécie de continuação de sua série. Nele, retrata o encontro do dono frustrado de uma loja de móveis (Ejiofor) com o “não lugar” do subtítulo – um espaço extradimensional com salas decoradas de forma levemente corporativa, uma mais esquisita que a outra, acessado por quem sai meio sem querer da realidade.
A inspiração das duas obras vem primordialmente de uma foto, publicada em um fórum online em 2019, de uma sala de escritório com papéis de parede amarelos e carpete pelo chão. A estranheza da imagem motivou a criação coletiva de toda uma mitologia sobre essas “salas dos fundos”. “Backrooms”, no inglês.
Atraído por essa lenda urbana, Parsons gerou o primeiro vídeo praticamente sozinho, com a ajuda de programas de modelagem 3D – e de alguns amigos, que aparecem no começo.
Para disfarçar as imperfeições de quem estava começando nesse mundo e das limitações de seu equipamento, montou uma narrativa com perspectiva na primeira pessoa, como se fosse filmada por uma antiga câmera de videocassete.
‘Inundado’ por interesse
Em um mês, ele começou a “ser inundado” por e-mails de interessados em uma possível adaptação.
“Eu era muito cético sobre o que poderia acontecer, porque eu não sabia nada dessas pessoas, e não conheço nada da indústria”, conta Parsons.
Com a ajuda das produtoras dos diretores James Wan, de “Jogos Mortais” (2004) e “Invocação do mal” (2013), e Shawn Levy, de “Deadpool e Wolverine” (2024), ele se juntou ao roteirista Will Soodik (“Ash. vs. Evil Dead”) para chegar ao rascunho enviado à A24.
Responsável por terrores elogiados como “A bruxa” (2015) e “Hereditário” (2018), além de dramas ganhadores do Oscar como “Moonlight” (2016) e “Tudo em todo lugar ao mesmo tempo” (2022), o estúdio independente topou a parceria.
“A ideia era encontrar uma versão do filme que funcionasse para novos públicos e para quem é fã da minha série”, afirma o cineasta. Com informações do portal G1.