Quarta-feira, 24 de junho de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 24 de junho de 2026
Em plena atividade aos 91 anos, o artista plástico e ilustrador Joaquim da Fonseca é o convidado da próxima edição da série de bate-papos “Roda de Cultura”, do Hotel Praça da Matriz (HPM), a partir das 15h de quarta-feira (1º). O mestre gaúcho da aquarela compartilhará com o público memórias e conhecimentos, executando – ao vivo – uma pintura em aquarela, técnica da qual é considerado um dos grandes mestres no Rio Grande do Sul.
A entrada é gratuita e aberta ao público, porém com vagas limitadas mediante reserva pelo whatsapp (51) 98595-5690. Endereço: Largo João Amorim de Albuquerque nº 72 (a menos de 100 metros do Theatro São Pedro), no Centro Histórico de Porto Alegre.
Sobre o convidado
Alegretense radicado na Capital desde 1948, Joaquim da Fonseca possui trajetória profissional que o torna um nome essencial nas artes plásticas e gráficas do Rio Grande do Sul. Estudou com alguns dos maiores mestres do Instituto de Belas Artes, foi editor da antológica Revista do Globo, integrou a equipe de desenhistas da agência de propaganda MPM, obteve pós-graduação nos Estados Unidos e lecionou durante vários anos em instituições como a UFRGS.
Mas foi a produção constante como pintor e ilustrador que o tornou conhecido além das fronteiras gaúchas, sobretudo com aquarelas que retratam cenários e personagens urbanos ou rurais. Além de telas emolduradas em museus, galerias e coleções particulares, seu estilo inconfundível tem sido colocado a serviço de diversos livros de viagem, autorais ou em parceria com colegas igualmente icônicos – a colaboração com Luis Fernando Verissimo na série aberta por “Traçando Porto Alegre” e que logo se estendeu a Nova York, Roma, Paris, Madrid e Tóquio.
O gestor cultural Cézar Prestes define a obra do amigo de longa data: “A genialidade em brincar entre o figurativo e o abstrato, com traços e manchas de cor sugestivas, fazem suas aquarelas terem vida, como se o espectador estivesse vendo um filme. Joaquim tem uma capacidade especial de retratar o entorno com olhar sensível para cenários e costumes, resultando em um “carimbo” que faz dele uma referência nacional. É também um mestre gentil que divide conhecimento e está sempre apreendendo, inclusive com os jovens”.
Espaço HPM
Inaugurado como imóvel residencial no final da década de 1920, o palacete do Largo João Amorim de Albuquerque nº 72 abriga há 50 anos o Hotel Praça da Matriz. O empreendimento passou por ampla revitalização e, sob o comando da família Patrício desde 2014, hospeda anônimos e famosos, além de abrigar o Espaço Cultural HPM, com foco em exposições, saraus, lançamentos de livros e outros eventos.
A origem do imóvel remonta a Luiz Alves de Castro (1884-1965), o “Capitão Lulu”, dono do famoso cabaré-cassino “Clube dos Caçadores”, instalado de 1914 a 1938 na rua Andrade Neves (a poucas quadras dali) e enaltecido por cronistas e escritores como Erico Verissimo. A fortuna amealhada pelo empresário com a atividade ainda bancou, na mesma época, a construção do imponente edifício que hoje sedia o Espaço Cultural Força e Luz (Rua da Praia).
Contratado por Lulu, o engenheiro e arquiteto teuto-gaúcho Alfred Haasler projetou quatro andares com subsolo, pátio interno e dois diferenciais naquele tempo: garagem e sistema francês para calefação de água, tudo em estilo eclético, com mármores, azulejos e outros materiais importados. O conjunto está inventariado como de interesse histórico pelo Município e contemplado com o programa Monumenta, permitindo a recuperação de fachada, cobertura e estrutura elétrica.
O proprietário não teve muito tempo para aproveitar tamanho requinte, pois migrou no início da década de 1930 para o Rio de Janeiro, ampliando atividades (foi sócio do Cassino da Urca e dono de diversos empreendimentos). Com o decreto federal que em 1946 proibiu os jogos-de-azar, Lulu se desfez do seu patrimônio em Porto Alegre. O palacete junto à Praça da Matriz – até então alugado a terceiros – trocou de mãos e serviu como sede provisória do Clube do Comércio, dentre outras finalidades, até ser adquirido em 1949 por um comerciante cuja nora, Ilita Patrício, mantém hoje com a família o estabelecimento hoteleiro.