Segunda-feira, 12 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 11 de janeiro de 2026
O exame de toque retal é método mais comum de detecção de câncer de próstata. O procedimento é amplamente utilizado por profissionais médicos para verificar a próstata em busca de inchaço incomum ou caroços no reto como uma verificação inicial dos sinais de câncer de próstata em homens.
Segundo Reinaldo Uemoto, urologista do Hospital Santa Catarina-Paulista, muitos pacientes questionam a necessidade do exame de toque retal e buscam alternativas, como a ressonância magnética, que é uma das opções mais precisas. Realizá-la em todos os homens como forma de rastreamento, no entanto, não é viável financeiramente nem prático.
“Nem os países mais desenvolvidos ou mais abastados têm feito rastreabilidade utilizando ressonância, porque estamos falando da população em geral. É inviável, seja no sistema público, seja no privado”, afirma.
É por essa razão que o exame de sangue PSA e o toque retal continuam sendo o padrão ouro para o rastreamento da doença, e um não substitui o outro.
O rastreamento deve começar aos 50 anos ou aos 45 em caso de fatores de risco como histórico familiar, obesidade ou pessoas negras —população com risco duas vezes maior de desenvolver o tumor e com mortalidade mais alta.
“Se tivermos 100 pacientes com diagnóstico de câncer de próstata, cerca de 80% serão diagnosticados pelo PSA e 20% vão ser diagnosticados pelo exame de toque. Se fizermos apenas o PSA, vamos perder esses 20% que não realizaram o toque”, afirma Maurício Cordeiro, chefe do departamento de uro-oncologia da SBU (Sociedade Brasileira de Urologia).
“Cerca de 10% dos tumores não apresentam alteração no PSA, então o toque ainda é indispensável”, acrescenta Uemoto.
Tabu
Uma das barreiras que dificultam o diagnóstico é que o exame de toque é interpretado por muitos como invasão ou ameaça à masculinidade.
“O constrangimento atrapalha. Os homens têm medo de perder a virilidade e de minimizar a masculinidade. Mas, à medida que você explica como é feito, a aceitação é maior. Quando você orienta, o tabu cai”, afirma Uemoto.
O exame de toque consiste em verificar o tamanho da próstata e verificar a presença de nódulos endurecidos no órgão —comuns em casos de câncer— pela via anal.
O teste é realizado em consultório e o paciente pode ficar de barriga para baixo (bruços), de barriga para cima (decúbito dorsal) ou de lado (decúbito lateral).
O procedimento dura de 15 a 20 segundos, aproximadamente. Para minimizar o desconforto é usado um gel lubrificante com anestésico, e o exame é realizado apenas com o dedo indicador da mão dominante do médico.
“Cada ponta do dedo representa cerca de dez gramas. Se eu der cinco toques na próstata, significa que ela tem 50 gramas. Próstatas maiores produzem mais PSA, e aumentos significativos no PSA, especialmente se acompanhados de alterações no exame de toque, aumentam o risco de câncer”, explica Cordeiro.
Para complementar a investigação é indicada a ressonância magnética multiparamétrica. A confirmação definitiva do câncer só é feita por meio da biópsia prostática. Com informações da Folha de S. Paulo.