Segunda-feira, 15 de agosto de 2022

Aplicativos bancários e roubo de celular: saiba o que a fraude esconde

Você sabia que, ao contrário do que se imagina, uma operação fraudulenta pode não ser iniciada nos minutos seguintes em que um celular é roubado? “A operação criminosa é rápida, mas envolve um ecossistema complexo e amplo”, explica Guilherme Bacellar, pesquisador de Segurança Cibernética e Fraude da Unico.

Histórias atuais causam indignação na sociedade ― como a do agente de talentos Bruno de Paula, vítima de furto de seu celular e de uma verdadeira devassa em suas contas bancárias, e a do representante comercial Lucas Dallaverde, também vítima de criminosos, que em um assalto teve o celular levado e seu acesso a diversos apps fraudado.

Como analisar esses casos em perspectiva, buscando aprendizados sobre como combater futuras fraudes, mas, também, de não perder o melhor que a tecnologia oferece?

Dados do Registro Digital de Ocorrências da Secretaria de Segurança Pública sobre as ocorrências registradas, é possível constatar os tipos e itens roubados em São Paulo durante o ano de 2022: os dados revelam que documentos, como o cartão bancário e telefones celulares, foram os objetos mais roubados no estado mais populoso do Brasil.

As estatísticas vão ao encontro da preocupação vivenciada pelos cidadãos e destacam um ponto do debate atual: é essencial tornar acessível o conhecimento sobre a estrutura e os desafios da nova era que vivemos hoje: a vida “onlife” – termo que remete à fusão entre o mundo físico e digital.

Os apps dos bancos estão cada dia mais seguros. Os adventos da identidade digital, como o reconhecimento facial e o token biométrico, por exemplo, tecnologias ainda em fase de popularização no país, já podem ser considerados como importantes reforços para a segurança das pessoas e de seus dados. Esse tipo de solução utiliza o que há de mais singular e inovador na autenticação da identidade e é a prova que estas empresas (as chamadas IDtech) estão atentas ao princípio sagrado da segurança e privacidade dos dados das pessoas.

Contudo, é preciso que as diferenças entre acesso e segurança fiquem claras para aprofundar esse tema de maneira didática e, assim, aproveitar os aprendizados de casos como o de Bruno. Afinal, a tecnologia deve ser um benefício para toda a sociedade.

Acesso seguro

Um exemplo da diferença entre acesso de segurança pode ser entendido a partir do simples ato de usar o celular para acessar o app do banco por meio de nossa conta de e-mail pessoal. Ao registrarmos essa conta como contato de recuperação para a senha, estamos misturando acesso e segurança. Sim, é preciso ter uma conta de e-mail específica somente para acessar sites de bancos e de compras.

Por outro lado, países e instituições internacionais pontuam a identidade digital, que autentica a pessoa e elimina etapas de verificação que nos deixam mais vulneráveis (como por exemplo, a recuperação de senha por e-mail utilizada por alguns bancos), como a alternativa para mitigar esse tipo de golpe e gerar um ambiente mais confiável.

Temos muitos desafios neste mundo digital. E é preciso entender que temos que adotar soluções que garantam a separação entre o acesso e a segurança no mesmo device, pois a fraude não está sempre associada à falha da tecnologia e sim, ao que chamamos de engenharia social, que é quando uma pessoa mal-intencionada tem acesso aos nossos dados ― por meio das nossas redes sociais, contas pessoais, entre outros ― como foi o caso do Bruno e do Lucas.

Precisamos, empresas e sociedade, empoderar as pessoas para entenderem que a segurança deve funcionar como um “ser onipresente” e nos acompanhar sempre. É como olhar para os dois lados antes de atravessar a rua. Se a pessoa protege a segurança com o que há de melhor na tecnologia, o acesso, por sua vez, é uma escolha para realizar coisas simples ― como pedir uma comida via app.

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