Sábado, 25 de abril de 2026

Após atritos, partido de Bolsonaro quer agilizar a escolha de substituto de Eduardo para disputar o Senado

A cúpula do PL espera anunciar em cerca de dez dias o nome do substituto do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro na candidatura do partido ao Senado por São Paulo. Nesta semana, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro recebeu nos Estados Unidos a visita do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e do presidente da Assembleia Legislativa, André do Prado, hoje visto como favorito para a vaga.

A indefinição abriu uma série de disputas na legenda, o que tem gerado incômodo e temor de que a direita fique atrasada na montagem de um projeto competitivo. Nessa sexta-feira (24), ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) negou que tenha apresentado veto ao nome do deputado federal Mario Frias, um dos cotados para a corrida ao Senado.

Frias é citado como um dos preferidos de Eduardo, já que ele não deve retornar dos EUA para concorrer neste ano, mas quer ter o poder de escolher o substituto no PL. O deputado estadual Gil Diniz e o vice-prefeito da capital, Ricardo Mello Araújo, também figuram no páreo. Na visita a Eduardo no Texas, Costa Neto defendeu a indicação de Prado, que também é apoiado pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Em postagem na rede social X, Frias buscou se distanciar do que chamou de ambição “por cargos ou por voos mais altos” e disse que entrou para a política movido “pelo projeto de Brasil” de Jair Bolsonaro, a quem reafirmou apoio. “Em um mundo onde todos querem mais, eu quero menos”, escreveu.

Mais tarde, Michelle publicou nota em que negou ter colocado objeção aos nomes de Frias e Prado. “Jamais falei nada, a favor ou contra a indicação dos dois parlamentares”, afirmou, “Sempre esteve muito claro para mim o acordo firmado pelo partido de que as escolhas para [candidatos aos] governos seriam feitas pelo presidente Valdemar e as dos senadores, por Jair Bolsonaro”, acrescentou a ex-primeira-dama.

Críticas

A possibilidade de Prado ser escolhido também foi criticada por bolsonaristas nos bastidores, com o argumento de que ele tem atuação tímida naquela que é a principal pauta do grupo para a eleição ao Senado neste ano: o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Prado é visto, no grupo mais ideológico, mais como um representante do Centrão do que da direita.

O presidente da Assembleia afirmou que a decisão sobre a candidatura não foi tomada, mas se disse disposto a defender ações contra ministros do Supremo, caso seja confirmado na disputa. Segundo ele, são necessárias ainda outras medidas, como uma reforma do Judiciário que resgate “o equilíbrio entre os Poderes”.

Segundo Prado, a conversa com Eduardo foi “franca e muito positiva”. O presidente da Assembleia e o dirigente do partido buscaram sensibilizar o ex-deputado sobre a estratégia de lançar uma candidatura mais moderada e com capacidade de diálogo com o centro. A outra cadeira na chapa de Tarcísio está reservada para o deputado federal Guilherme Derrite (PP), que tem a segurança pública como principal bandeira.

Prado disse que defendeu suas credenciais como alguém com 32 anos de experiência na vida pública e “amplo diálogo com a classe política no Estado, incluindo vereadores, prefeitos e deputados de diferentes partidos”. Ele argumenta que é preciso marcar posição em setores que podem ser atraídos pelas candidaturas da oposição.

Hoje, no campo da pré-candidatura de Fernando Haddad (PT) ao governo estadual, são consideradas as candidaturas ao Senado de Simone Tebet (PSB), Marina Silva (Rede) e Márcio França (PSB). Uma das ideias é justamente oferecer nomes com capacidade de conseguir votos para além da esquerda.

“Colocamos para ele (Eduardo) a necessidade de avançarmos na direção de alguns espaços, diante das movimentações de nossos adversários. Ele ouviu e entendeu o que estamos falando. Disse ainda que vamos poder agregar muito à campanha do Flávio (Bolsonaro), trazendo a classe política para engrossar o palanque dele na eleição para a Presidência”, afirmou Prado.

Gil Diniz, que é da ala bolsonarista do PL e muito próximo de Eduardo, de quem foi assessor, disse que ainda não há uma decisão tomada, mas acatará o que for determinado. “Se não for eu o escolhido, vou apoiar quem o Eduardo indicar”, declarou. O ex-deputado ainda não se manifestou sobre o assunto.
Após retornar dos EUA, Costa Neto deu declarações otimistas sobre as chances de Prado, mas reiterou que vai esperar o aval de Eduardo.

A direita paulista também conta com a pré-candidatura ao Senado do deputado federal Ricardo Salles (Novo), que tem indicado vontade de se manter na disputa, mesmo fora da chapa de Tarcísio. Com forte identificação com a pauta bolsonarista, Salles busca mostrar maior viabilidade do que nomes do PL.

Tarcísio fez novos acenos, nessa sexta, a André do Prado, referindo-se a ele como “grande companheiro”, durante entrevista a jornalistas. O governador chegou a ser pressionado pelo PL para escolher o presidente da Assembleia como vice, mas decidiu manter Felicio Ramuth (MDB). (Com informações do Valor Econômico)

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