Quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Após cinco quedas consecutivas, indústria gaúcha reage, aponta pesquisa da Fiergs

Depois de cinco meses seguidos de retração, a indústria do Rio Grande do Sul apresentou reação em novembro de 2025. O IDI-RS (Índice de Desempenho Industrial do Rio Grande do Sul) registrou 94,6 pontos, um avanço de 0,5% na comparação com outubro, conforme pesquisa divulgada pelo Sistema Fiergs nesta quinta-feira (15). Apesar da melhora pontual, o setor ainda apresenta queda de 5,8% em relação a novembro de 2024.

Para o presidente do Sistema Fiergs, Claudio Bier, o resultado positivo não descarta a necessidade de mudanças nos cenários doméstico e internacional. “Os empresários demonstram resiliência, mas a indústria gaúcha continua pressionada por juros altos e incertezas fiscais. Se esse quadro não se transformar no curto prazo, uma retomada consistente fica mais difícil”, avaliou.

O avanço mensal do IDI-RS foi sustentado pelo desempenho favorável da maioria dos indicadores. O faturamento real cresceu 0,7%, as horas trabalhadas na produção aumentaram 0,3% e as compras industriais subiram 0,5%, recuperando parte da queda expressiva de 6,8% registrada em outubro. Em sentido contrário, o emprego e a massa salarial real recuaram 0,2% cada, enquanto a UCI (utilização da capacidade instalada) permaneceu estável em 78,1%.

No acumulado de janeiro a novembro de 2025, a atividade industrial gaúcha mantém uma trajetória de desaceleração, com retração de 0,8% no IDI-RS. O resultado negativo reflete a queda generalizada dos principais indicadores de atividade, como o faturamento real (-2,5%), as horas trabalhadas na produção (-1,5%), a UCI (-1,2 ponto percentual) e as compras industriais (-0,4%). Em contrapartida, os indicadores do mercado de trabalho mostraram resiliência no período, com crescimento de 1,2% no emprego e avanço de 2,6% na massa salarial real.

O desempenho do setor até novembro foi marcado por forte heterogeneidade. O índice foi pressionado pelo resultado negativo de oito dos 15 segmentos avaliados. Entre os destaques negativos estão Veículos automotores, com queda de 10,7%, e Couros e calçados, que recuaram 6,3%. A retração acumulada não foi mais intensa graças, principalmente, ao bom desempenho de Máquinas e equipamentos, que avançou 11,4%, além de Tabaco (+12,5%) e Equipamentos de informática e eletrônicos (+7,7%).

Comparação anual 

Apesar da alta na margem mensal, a comparação entre novembro de 2025 e o mesmo mês de 2024 mostra queda de 5,8% na atividade industrial. Esse foi o quinto recuo consecutivo nessa base de comparação e o mais intenso do ano até o momento.

O faturamento real caiu 10,1%, o pior resultado desde julho de 2020, durante a pandemia de Covid-19. As compras industriais também registraram forte retração, de 16,4%, ficando atrás apenas do recuo observado no período do desastre climático de maio de 2024.

Também contribuíram negativamente a redução das horas trabalhadas (-2,2%) e a queda de 2,4 pontos percentuais na utilização da capacidade instalada. O único destaque positivo foi a massa salarial real, que apresentou ganho de 2%, enquanto o nível de emprego permaneceu estável.

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