Domingo, 17 de maio de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 17 de maio de 2026
O senador Flávio Bolsonaro (PL-SP) embarca para São Paulo nesta semana para uma rodada de encontros com empresários e investidores da Faria Lima numa tentativa de reduzir a tensão no mercado financeiro após a crise envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro. A estratégia da campanha é preservar a imagem do senador como principal nome da direita para a disputa presidencial deste ano.
Depois de passar os últimos dias mergulhado em reuniões de crise em Brasília, Flávio viajou na sexta-feira (15) para o Rio de Janeiro e participou até sábado (16) de agendas políticas em Sorocaba e Campinas, ambos no interior de São Paulo voltadas ao lançamento da chapa bolsonarista no Estado. Em seguida, o senador retornou a Brasília antes de embarcar novamente para São Paulo, onde terá encontros reservados com representantes do setor financeiro ao longo da semana. A previsão é que a viagem ocorre entre terça e quarta-feira.
Segundo interlocutores, a agenda com empresários já vinha sendo organizada antes da divulgação da reportagem do Intercept Brasil sobre as negociações entre Flávio e Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, produção sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. A repercussão do caso, porém, transformou os encontros em parte importante da estratégia de reação da campanha.
A avaliação dentro do entorno do senador é que Flávio precisa agir rapidamente para evitar que o episódio amplie dúvidas no empresariado justamente no momento em que adversários e setores da própria direita passaram a questionar sua viabilidade eleitoral após o caso Master. Aliados afirmam que o senador continuará defendendo junto ao empresariado uma agenda liberal na economia, baseada em redução de impostos, desburocratização e aproximação com o setor privado.
Nos bastidores, integrantes da pré-campanha admitem preocupação com a repercussão da crise entre investidores e operadores financeiros. A relação entre Flávio e Vorcaro dominou conversas durante a Brazil Week, em Nova York, e ampliou dúvidas dentro de setores empresariais que vinham enxergando o senador como o nome mais competitivo da direita para enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A turbulência ganhou ainda mais repercussão após a forte reação do mercado financeiro na quarta-feira, dia da divulgação da reportagem do Intercept. O dólar disparou mais de 2% frente ao real e encerrou o dia próximo de R$ 5,00, enquanto o Ibovespa registrou queda superior a 1,8%, movimento que operadores e analistas passaram a relacionar diretamente ao aumento da instabilidade política em torno da principal aposta eleitoral do bolsonarismo.
Segundo interlocutores próximos ao senador, parte das críticas vindas do mercado também reflete a preferência de grupos empresariais por alternativas como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Nos últimos dias, interlocutores do setor financeiro também passaram a mencionar com mais frequência o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), como alternativa da direita para a disputa presidencial.
A estratégia da campanha, porém, é evitar qualquer sinal de retração política após a crise. Auxiliares afirmam que Flávio pretende ampliar viagens pelo país, reforçar agendas públicas e aumentar a presença em entrevistas e encontros com empresários para transmitir uma imagem de estabilidade política após a primeira grande turbulência da pré-campanha presidencial.
Nos bastidores, aliados também passaram a defender uma ofensiva mais agressiva contra o governo Lula, tentando deslocar parte do desgaste para supostas conexões entre empresários ligados ao Banco Master e grupos políticos próximos ao PT, especialmente na Bahia. (Com informações do jornal O Globo)