Sábado, 24 de janeiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 23 de janeiro de 2026
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), vai aguardar o resultado de novas investigações em curso para definir se devolve a questão do caso Master à 1ª instância do Judiciário, nas apurações que eram realizadas pela Justiça Federal em São Paulo e Brasília.
Novos depoimentos foram marcados por Toffoli para a próxima semana, segunda-feira (26) e terça-feira (27), quando serão ouvidos os executivos ligados ao Banco Master e ao Banco de Brasília (BRB).
Após os depoimentos, o ministro vai analisar possíveis menções a autoridades com foro privilegiado e, não havendo, planeja devolver o inquérito à 1ª instância, segundo fontes ouvidas pelo jornal Valor Econômico.
O caso foi parar no Supremo após citação ao deputado federal Carlos Bacelar (PL-BA), que não é formalmente investigado, mas teve seu nome citado em um envelope apreendido em endereço ligado a Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, referindo-se a uma transação imobiliária.
Bacelar justificou ao Valor Econômico ter participado de um empreendimento em Trancoso, na Bahia, e foi consultado por Vorcaro sobre o imóvel, mas o negócio não foi adiante.
É a primeira vez que Toffoli admite a possibilidade de deixar o caso, depois de afirmar a interlocutores que seguria na relatoria e que o caso ficaria com o STF, mesmo após revelações de que havia familiares seus envolvidos com um fundo citado nas apurações.
Sua decisão gerou críticas da Polícia Federal (PF), do Banco Central (BC) e da própria Corte.
Toffoli foi duramente criticado após ser revelada sua viagem realizada em novembro com o advogado de um dos diretores do Master, objeto de investigação.
O jornal O Estado de São Paulo publicou uma reportagem segundo a qual o pastor e empresário Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, estaria por trás dos fundos de investimentos que compraram parte da participação de dois irmãos de Toffoli no resort Tayayá, no interior do Paraná.
Na quarta-feira (21), novas informações a respeito dos laços da família Toffoli e os fundos citados na apuração do caso Master. Segundo O Estado de São Paulo, a Maridt Participações, empresa de dois irmãos do ministro, chegou a ter um terço na sociedade do resort Tayayá, que tem sede de 130 metros quadrados no Jardim Universitário, em Marília, interior paulista, onde mora José Eugênio dias Toffoli, um de seus irmãos, que consta como vice-presidente da Maridt.
A esposa de José Eugênio, contactada, negou saber que sua casa constava como sede da empresa e desconhece qualquer ligação com o resort.
Toffoli ia costumeiramente ao resort mesmo após sua venda, geralmente de helicóptero.
Todos os episódios, somados às decisões de Toffoli, levaram a conjecturas e aumentaram a crise envolvendo o inquérito sobre o Banco Master, causando desconforto a ministros do STF e forçando que Fachin antecipasse sua volta a Brasília para conversar com seus pares sobre os últimos desfechos, tentando encontrar saída honrosa do caso para Toffoli. (As informações são do Valor Econômico)