Sábado, 20 de junho de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 19 de junho de 2026
O pré-candidato do PT ao governo de São Paulo e ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nessa sexta-feira (19) que a Polícia Federal (PF) “está no papel dela de investigar” ao comentar a apuração que envolve o senador Jaques Wagner (PT-BA), um dos alvos da 9ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga as articulações do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, com o mundo político.
Em sabatina à BandNews TV, Haddad disse que as investigações devem avançar “doa a quem doer” e que todos os investigados têm o direito de apresentar esclarecimentos às autoridades.
“Se a PF tem dúvida em relação a quem quer que seja, está no papel dela investigar. O próprio senador Jaques Wagner falou isso: se a PF tem dúvida, o ministro do STF [André Mendonça, que é relator do caso e autorizou a operação] fez certo de apurar”, afirmou.
Segundo ele, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou desde o início das investigações que as instituições responsáveis pelo caso atuassem com independência.
“Desde o começo de toda essa história, Lula chamou Ministério Público, STF, Polícia Federal, Banco Central e Ministério da Fazenda e falou: ‘Eu quero tudo a limpo, doer a quem doer. Não interessa. Quero a limpo, porque estamos diante da maior fraude bancária do Brasil’”, disse.
O ex-ministro também afirmou que a possibilidade de ser investigado não representa uma condenação e pode ser uma oportunidade para que os envolvidos apresentem sua versão dos fatos.
“Quando mais exposição a pessoa tiver, melhor para ela, se estiver segura dos seus atos, e se colocar à disposição das autoridades. Isso é o correto. No final do processo, quem errou tem que ser punido; quem se explicou é absolvido, nem é processado”, declarou.
Haddad ainda citou outros nomes mencionados na investigação, entre eles o senador Flávio Bolsonaro (PL), e defendeu que qualquer pessoa sob suspeita tenha a oportunidade de prestar esclarecimentos.
Operação
Jaques Wagner foi alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que investiga um suposto esquema bilionário de fraudes, corrupção e lavagem de dinheiro relacionado ao Banco Master. A investigação apura a relação do senador com o ex-banqueiro Augusto Lima, apontado como aliado estratégico de Daniel Vorcaro, ex-dono do banco.
Segundo a PF, Wagner teria recebido vantagens indevidas em troca de atuação política em favor de interesses do grupo financeiro. Entre os fatos investigados estão a suposta aquisição de um imóvel de luxo em Salvador, ingressos para shows da cantora Taylor Swift em Los Angeles (EUA), repasses financeiros e viagens ao exterior. O senador nega irregularidades.
Em entrevista à BandNews, Jaques Wagner afirmou não ter relação com Daniel Vorcaro e disse que os US$ 49 mil apreendidos pela PF em um endereço ligado a ele têm origem em diárias recebidas do Senado para viagens internacionais. (Com informações do portal de notícias g1)