Sexta-feira, 06 de fevereiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 5 de fevereiro de 2026
Após a decisão que proibiu visitas do presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, ao ex-presidente Jair Bolsonaro, dirigentes da legenda passaram a articular apoio institucional com o objetivo de tentar reverter a medida. A avaliação interna é de que a restrição imposta pela Justiça tem impacto direto na organização política e nas estratégias eleitorais do partido.
Nessa quinta-feira (5), o líder do bloco de oposição no Senado, senador Wellington Fagundes (PL-MT), tinha previsto um encontro com o procurador-geral da República, Paulo Gonet. A intenção da reunião era apresentar argumentos jurídicos e políticos para buscar a liberação das visitas de Valdemar Costa Neto a Bolsonaro, atualmente preso em Brasília.
A restrição foi determinada no fim de janeiro por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ao negar o pedido de visita, o magistrado apontou a existência de riscos às investigações em curso que envolvem Valdemar Costa Neto no contexto da apuração sobre a tentativa de golpe de Estado. Para Moraes, o contato entre os dois poderia interferir na produção de provas ou no andamento do processo.
Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e cumpre pena em uma sala de Estado-Maior no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, espaço conhecido como “Papudinha”. A legislação garante condições diferenciadas nesse tipo de custódia, mas as visitas seguem submetidas a autorização judicial.
Com a impossibilidade de contato direto entre Valdemar e Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente, passou a atuar como principal interlocutor político do pai. Além disso, Flávio tem sido apontado como um dos nomes do PL para a disputa presidencial futura. Ainda assim, setores do partido avaliam que essa dinâmica não substitui o papel exercido anteriormente por Bolsonaro nas decisões estratégicas da legenda.
Antes de ser preso em regime fechado, Bolsonaro concentrava grande influência sobre a definição de candidaturas do PL nos Estados, tanto para o Senado quanto para os governos estaduais. Com sua prisão, esse processo passou a ser compartilhado por diferentes lideranças, o que gerou divergências internas e disputas por espaço político. Nesse contexto, também ganharam visibilidade críticas públicas feitas pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro a determinadas alianças regionais.
Diante desse cenário, o principal argumento que será apresentado a Paulo Gonet é o de que a proibição das visitas cria um desequilíbrio na disputa eleitoral, ao limitar a capacidade de articulação política do PL. A avaliação de integrantes da sigla é que a ausência de diálogo direto com Bolsonaro compromete decisões estratégicas e enfraquece a coesão partidária.
Além da agenda com o procurador-geral da República, Wellington Fagundes já esteve no STF para conversar com o ministro Gilmar Mendes, decano da Corte. Na ocasião, o senador também defendeu a concessão de prisão domiciliar humanitária para Bolsonaro. (Com informações do portal de notícias g1)