Domingo, 11 de janeiro de 2026

Após provocações, Brasil deixará de representar Argentina na Venezuela

O Brasil deixará de representar os interesses da Argentina na Venezuela, onde o governo de Javier Milei não mantém corpo diplomático desde setembro de 2024. A tutela da embaixada argentina em Caracas deverá ser assumida pela Itália.

A decisão foi tomada após o presidente argentino publicar uma série de postagens e repostagens nas redes sociais com críticas diretas e indiretas ao Brasil e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Uma das publicações mostrava Milei comemorando a captura de Nicolás Maduro, em um vídeo que terminava com uma imagem de Lula abraçado ao líder venezuelano. Outra postagem que desagradou o governo brasileiro foi uma imagem divulgada após a vitória de José Antonio Kast como presidente eleito do Chile, na qual a América do Sul aparecia dividida em dois blocos, com a Argentina retratada de forma futurista e o Brasil representado como uma grande favela.

Fontes do governo brasileiro afirmam que, após sucessivas manifestações consideradas agressivas por parte de Milei nas redes sociais, a avaliação interna passou a ser de que não há confiança política suficiente para a continuidade da representação brasileira dos interesses argentinos na Venezuela.

Desde que assumiu a tutela da embaixada argentina em Caracas, o Brasil realizou diversas intermediações junto ao regime de Nicolás Maduro, com o objetivo de proteger e garantir condições mínimas de sobrevivência a refugiados venezuelanos que estavam abrigados na representação diplomática.

O governo brasileiro também fez contatos frequentes com autoridades venezuelanas para obter informações e solicitar a libertação de um agente da gendarmaria argentina preso no país no ano passado, assumindo o risco de desgaste diplomático com Caracas.

Segundo as fontes, com a mudança do cenário político na Venezuela após a captura de Maduro, a avaliação foi de que o ciclo de intermediação deveria ser encerrado, levando ao fim da representação dos interesses argentinos pelo Brasil.

“Fica difícil para um país que, segundo a retórica do próprio Milei, estaria do lado do ‘câncer do socialismo’ representar os interesses argentinos. Isso se torna até incoerente com a visão expressa pelo presidente argentino”, afirmou uma fonte do governo brasileiro.

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