Domingo, 11 de janeiro de 2026

Após quase dois meses da liquidação do Banco Master, 1,6 milhão de investidores não viram a cor do dinheiro

Clientes do Banco Master que investiram aguardam há quase dois meses o reembolso dos recursos, a contar de 18 de novembro, quando o Banco Central (BC) decretou a liquidação extrajudicial da instituição financeira. As aplicações são cobertas pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), como Certificados de Depósito Bancário (CDBs), Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e Letras de Crédito do Desenvolvimento (LCDs).

Na ocasião, o FGC informou que havia 1,6 milhão de investidores elegíveis à reposição — ou seja, que terão direito à restituição de investimentos no banco de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ —, o que totaliza cerca de R$ 41 bilhões em indenizações.

Embora não haja prazo legal definido para a restituição, investidores se dizem apreensivos com o processo de liquidação, envolto em camadas políticas e institucionais controversas que têm dominado o noticiário, além de se queixarem de que o dinheiro não é corrigido enquanto está parado à espera do pagamento pelo FGC, nem mesmo pela inflação.

O advogado Eduardo Rossini, de 37 anos, que mora em São Paulo, conta que investiu R$ 190 mil ao longo dos últimos anos em títulos do banco e possui cerca de R$ 230 mil a receber do FGC. Ele afirma que, com a demora da restituição, vai pensar duas vezes antes de aplicar em bancos que considera menos conhecidos no mercado.

“Investi no Master confiando no FGC. Eu já recebi pelo FGC, nas liquidações do Banco BRK e da Portocred, em um período menor do que o atual. Achei que desta vez também seria rápido”, afirma.

“Com essa situação, vou acabar diversificando mais ou investindo em ativos que talvez não tenham tanto retorno, mas que sejam de um banco mais consolidado, que dificilmente vai ser liquidado”, prosseguiu.

O Master teve suas operações encerradas pelo BC no fim do ano passado após uma longa crise que envolveu o veto da autoridade monetária à compra da instituição pelo Banco de Brasília (BRB), controlado pelo Distrito Federal. A liquidação foi decretada logo após o dono do banco, Daniel Vorcaro, tentar a venda para outra instituição financeira. Ele foi preso pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga indícios de fraudes em transações do Master com o BRB que somam R$ 12,2 bilhões. Ao Tribunal de Contas da União (TCU), o BC informou que o conglomerado liderado por Vorcaro — que cumpre medidas cautelares em liberdade — estava em “crise aguda de liquidez”.

Ou seja, não tinha dinheiro suficiente para honrar todas as suas obrigações financeiras, inclusive o pagamento de investidores. O BC nomeou uma empresa para administrar o processo de liquidação, o que passa pelo levantamento dos ativos das companhias que compõem o grupo financeiro de Vorcaro. Só quando terminar esse trabalho, o FGC pode entrar em ação. “Aguardamos as informações do Banco Master, Banco Master de Investimento e Banco Letsbank, que estão sendo consolidadas pelo liquidante, com o apoio do FGC, para iniciar o pagamento da garantia aos credores tão logo quanto possível”, informou o Fundo, em nota.

A liquidante, a empresa EFB Regimes Especiais de Empresas, havia informado, no fim de dezembro, que a relação do patrimônio estava em fase de consolidação. Enquanto isso, os credores enfrentam certa ansiedade com o processo moroso e se queixam de que os valores aplicados deixam de ter qualquer rendimento enquanto não são resgatados, conforme definido pelas regras do mercado financeiro. (Com informações do jornal O Globo)

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