Sábado, 29 de novembro de 2025
Por Redação do Jornal O Sul | 29 de novembro de 2025
O papa Leão XIV presidiu neste sábado (29) sua primeira missa em Istambul, na Turquia. Em seu terceiro dia no país, ele se reuniu com líderes ortodoxos e reiterou a necessidade de avançar na unidade entre os cristãos. A visita é marcada por um forte esquema de segurança, o que limita a proximidade do pontífice com os fiéis.
Leão XIV celebrou uma missa para cerca de 4 mil integrantes da pequena comunidade católica local — aproximadamente 33 mil pessoas em um país de 86 milhões — que o receberam com cantos e aplausos.
“É uma visita significativa e espero que contribua para conscientizar”, afirmou Cigdem Asinanyan, moradora de Istambul que aguardou sob chuva para entrar no salão onde o altar foi montado sobre um palco, com três candelabros e uma grande cruz.
Mais cedo, o papa, de 70 anos, assinou ao lado do patriarca de Constantinopla, Bartolomeu I, uma declaração conjunta em defesa do diálogo inter-religioso e contra qualquer uso da religião para justificar a violência.
Respeito
Na manhã deste sábado, o pontífice visitou a Mesquita Azul, um dos monumentos mais emblemáticos de Istambul. Ele retirou os sapatos para entrar no local — sua primeira visita a um espaço de culto muçulmano desde sua eleição, em maio — seguindo o exemplo de Bento XVI, em 2006, e de Francisco, em 2014.
Leão XIV ouviu explicações sobre o funcionamento e a história da mesquita em silêncio, sem realizar oração, diferentemente do que havia informado inicialmente o Vaticano. “O papa visitou a mesquita em silêncio, em espírito de recolhimento e escuta, com profundo respeito pelo local e pela fé daqueles que ali estavam reunidos”, informou o serviço de imprensa da Santa Sé.
A Mesquita de Sultanahmet, conhecida como Mesquita Azul, é uma das principais atrações turísticas da cidade. Foi construída no local do antigo palácio sagrado dos imperadores bizantinos, durante o reinado do sultão otomano Ahmed I.
Diferentemente de seus antecessores, Leão XIV também não visitou Santa Sofia, a antiga basílica bizantina localizada a poucos metros dali, transformada em museu e posteriormente, em 2020, reconvertida em mesquita pelo presidente Recep Tayyip Erdogan. À época, o papa Francisco afirmou ter ficado “muito entristecido” com a decisão.