Quinta-feira, 30 de julho de 2026

Arábia Saudita articula coalizão militar para proteger navegação no Mar Vermelho após ataques de rebeldes houthis

A Arábia Saudita anunciou a formação de uma coalizão militar internacional para reforçar a segurança no Mar Vermelho, em resposta aos ataques da milícia rebelde houthi, do Iêmen, que ameaçam uma das principais rotas do comércio marítimo e das exportações de petróleo. Segundo o Ministério da Defesa saudita, cerca de 50 países foram convidados a integrar a iniciativa.

Após uma reunião realizada nesta quinta-feira (30), em Riad, 14 países confirmaram apoio ao projeto, entre eles Turquia, Egito, Paquistão, Nigéria e outras nações árabes e africanas. A coalizão também foi apresentada a países europeus e aos Estados Unidos, embora alguns governos ainda avaliem os detalhes da participação.

De acordo com o governo saudita, a aliança terá caráter defensivo e atuará no compartilhamento de inteligência, realização de exercícios conjuntos e coordenação de operações marítimas para proteger corredores internacionais de navegação e o comércio global. A sede ficará na Arábia Saudita.

Ainda não está claro como a nova coalizão se diferenciará da missão naval da União Europeia, conhecida como Aspides, criada para proteger embarcações que cruzam o Mar Vermelho.

A iniciativa ocorre em meio à escalada das tensões com os houthis, grupo apoiado pelo Irã. Em 20 de julho, a milícia anunciou um bloqueio contra navios sauditas que transitam pela região e, desde então, reivindicou ataques contra diversas embarcações. Nem mesmo os bombardeios realizados pela Arábia Saudita contra áreas controladas pelos rebeldes no Iêmen impediram a continuidade das ofensivas.

Segundo a empresa de inteligência marítima Windward, o fluxo de navios sauditas e de outras nacionalidades pelo Estreito de Bab el-Mandeb caiu cerca de 20% desde o início do bloqueio.

O Mar Vermelho ganhou importância estratégica para o mercado de energia após a redução do tráfego pelo Estreito de Ormuz, levando a Arábia Saudita a redirecionar parte significativa de suas exportações de petróleo para essa rota. Com os ataques dos houthis, o reino passou a enfrentar novas dificuldades para escoar sua produção.

Os rebeldes ganharam projeção internacional durante a guerra em Gaza ao atacar Israel e embarcações no Mar Vermelho, alegando agir em apoio aos palestinos. Como controlam áreas próximas ao Estreito de Bab el-Mandeb, possuem capacidade para lançar mísseis e drones contra navios que cruzam a região.

Desde 2023, uma força liderada pelos Estados Unidos tenta conter esses ataques por meio da Operação Guardião da Prosperidade. Na época, porém, a Arábia Saudita evitou aderir publicamente à iniciativa para não ampliar o conflito com os houthis.

A deterioração do cenário de segurança também agravou os desafios econômicos do reino. Dados preliminares divulgados nesta semana apontam que o Produto Interno Bruto (PIB) saudita encolheu 4,8% no segundo trimestre em relação ao mesmo período do ano passado, reflexo principalmente da retração das atividades ligadas ao setor de petróleo.

Como alternativa, autoridades sauditas passaram a utilizar rotas mais longas pelo Canal de Suez e oleodutos terrestres. Apesar de reduzirem parte dos riscos, esses desvios aumentam significativamente o tempo de transporte do petróleo até os mercados asiáticos, principais compradores da produção saudita.

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