Segunda-feira, 13 de abril de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 11 de abril de 2026
Pode bater uma certa decepção ao vasculhar sua galeria de imagens no celular e ver as tentativas frustradas de fotos de uma bela Lua cheia, que termina como uma distante bola branca sem graça. Enquanto isso, os astronautas da Artemis 2 conseguem fantásticas fotos da Lua e da Terra. Mas não desanime; eles foram treinados para fotografar.
O treinamento para fotografia lunar durou cerca de dois anos e ocorreu no Centro Espacial Johnson da Nasa, na cidade americana de Houston. Como parte dos treinos, os astronautas estudaram as texturas da superfície, variações de cor e refletividade, além da identificação de crateras.
Os astronautas foram treinados por Katrina Willoughby e Paul Reichert, dois ex-alunos do Instituto de Tecnologia de Rochester (Nova York), que possui uma formação em ciências fotográficas. A dupla deu uma entrevista recentemente.
Os dois são veteranos da agência espacial em treinamento de astronautas para fotografia —o que também reflete a tradição da Nasa nesse tipo de registro, como se pode ver nos arquivos de imagens das missões Apollo.
A tripulação da Artemis 2 tem à disposição três câmeras profissionais Nikon —duas D5 e uma Z9—, além de 4 GoPros (compactas, resistentes e usadas usualmente para fotografias em ambientes difíceis ou para esportes; segundo a própria empresa GoPro, há ainda 4 de suas câmeras acopladas nos paineis solares da nave) e um Iphone para cada membro da tripulação (modificados para não terem acesso à internet ou outras ferramentas online).
Ao todo, a Orion, espaçonave na qual viajam os astronautas da Artemis 2, conta com 32 câmeras e dispositivos que podem produzir imagens, tanto dentro como fora do veículo.
Reichert afirmou, na entrevista que deu para o instituto onde estudou, que a maioria dos astronautas tem pouca experiência com fotografia.
Esse não parece, porém, ser o caso de Christina Koch, 47, especialista da missão e a primeira mulher a ir à Lua. Em entrevista coletiva, logo após sobrevoar o satélite natural da Terra, ela afirmou que pratica astrofotografia há algum tempo e que, portanto, a missão atual é um sonho realizado.
“Os timelapses que eu tenho tentado têm sido um pouco difíceis, porque estamos em um veículo bem dinâmico. Não é como estar na ISS [Estação Espacial Internacional], onde você consegue pegar as luzes das cidades, as auroras”, afirmou Koch, na entrevista coletiva.
Durante o sobrevoo da Lua, Koch comentou com a central de controle da Nasa sobre as texturas lunares que pôde observar usando as câmeras e lentes com zoom de que a tripulação dispõe.
Nos treinamentos no centro espacial, há diversos modelos de veículos, como a próprio Orion, para que os astronautas desenvolvam uma melhor noção sobre questões de espaço e luz que podem aparecer no momento de fotografar.
Em entrevista ao site Spaceflight Now, Victor Glover, 49, piloto da Artemis 2 e o primeiro negro a dar uma volta na Lua, afirmou que a Nasa inflou uma Lua em um galpão e apagou as luzes, para um dos treinamentos de fotografia.
“A maioria das pessoas consegue usar uma câmera e tirar uma foto razoável, mas razoável não é o que buscamos cientificamente. Estamos realmente ensinando os astronautas a ir além do básico”, afirmou Willoughby, ao Instituto de Tecnologia de Rochester. “Ser capaz de entender como usar o equipamento e quais são as opções nos dá muito mais capacidade.”
Willoughby disse ainda que há imagens que a equipe quer e as fotos das quais eles dependem. “As imagens são os dados deles”, afirmou.
“Para o time de geologia e de ciência, essas fotos [do sobrevoo, em altíssima resolução] são ouro”, disse Reichert, em entrevista recente para o veículo de notícias Spaceflight Now.
Na mesma entrevista, Reichert comentou a dificuldade de fotografar enquanto se flutua em um ambiente de microgravidade e até mesmo de problemas em conseguir focar a Lua —e quais configurações mudar para chegar a um bom resultado. “No espaço é um pouco diferente”, disse.
A produção de imagens não serve somente para registro de toda a missão para a posteridade. Como mostra a fala de Willoughby, há também um componente funcionou na coisa. Com informações da Folha de S. Paulo.