Segunda-feira, 17 de junho de 2024

As Regiões Norte e Nordeste são as mais jovens do País: 25% e 21% da população, respectivamente têm até 14 anos

Os dados do Censo 2022 do IBGE evidenciam a tendência do início do fim do bônus demográfico (quando a proporção de jovens, a população economicamente ativa, é maior do que a de idosos e crianças, elevando as chances de ganhos no Produto Interno Bruto). Esse movimento começou há cerca de 50 anos e perderá seus efeitos a partir de 2030 ou mesmo antes, quando a maior parcela da população já será de idosos, aumentando a pressão sobre os gastos de saúde e previdência social.

“Esse meio da nossa pirâmide, mais inchado, é o bônus demográfico, um grupo etário enorme com possibilidade de produção”, afirma a demógrafa Izabel Guimarães Marri, gerente de população do IBGE. “A medida que essas pessoas envelhecem, que esse grupo vai se tornando idoso, não vem um novo grupo tão grande assim para substituí-lo, uma vez que a base da pirâmide já é mais estreita. Ou seja, teremos um grupo menor tendo de produzir muito mais para sustentar parcela maior de idosos.”

As Regiões Norte e Nordeste são as mais jovens do País: 25% e 21% da população, respectivamente têm até 14 anos. As regiões mais velhas são Sudeste e Sul, com porcentuais de idosos de 12%. A idade mediana também reflete essa situação; ela é de apenas 26 anos em Roraima e chega a 38 no Rio Grande do Sul.

Histórico

Até a década de 1940, o País registrava altas taxas de fecundidade e mortalidade, mas os frequentes avanços da Medicina permitiram o aumento da expectativa de vida. Com a redução dos níveis de mortalidade e a manutenção dos altos índices de fecundidade, o ritmo do crescimento populacional aumentou.

“Apresentou seu maior pico na década de 1950, com taxa média de crescimento anual de 2,99%. No começo dos anos 1960, inicia-se lentamente o declínio dos níveis de fecundidade e, a partir dos anos 1970, já é possível verificar a redução do crescimento populacional”, informa o Censo.

“Em 1940, quando a população era de 41 milhões de pessoas, o desenho era o da pirâmide clássica, com a população mais jovem bem maior”, afirmou Izabel Guimarães Marri. “Essa estrutura se mantém até o fim da década de 80, quando começa a cair significativamente o número médio de filhos por mulher. A pirâmide, então, começou a ficar cada vez mais estreita.”

A queda da fecundidade é fortemente relacionada a fatores econômicos e de gênero. Numa sociedade rural menos desenvolvida, o custo de um filho é baixo e os benefícios de ter muitos filhos são altos (porque eles podem trabalhar no campo e amparar os idosos). Já numa sociedade urbana, industrial, o custo dos filhos é bem mais alto.

E a questão de gênero ganha cada vez mais peso nessa equação, segundo especialistas. Cada vez mais mulheres optam por se dedicar à carreira e adiam a gravidez e têm menos filhos. Muitas escolhem não ter filhos. A escassez de serviços gratuitos de apoio à maternidade, como creches, também contribui para a decisão.

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