Domingo, 25 de fevereiro de 2024

Ataques a convidados da CPI do MST começam antes do depoimento

Na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara dos Deputados que investiga as ações do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), os convidados para prestar depoimento estão começando a sofrer ataques nas redes sociais antes mesmo de comparecerem à sala das comissões da Câmara, onde são realizadas as sessões. O ex-presidente do Incra, Xico Graziano, que está com depoimento previsto para esta terça-feira (13), é um exemplo. Ele passou a ser alvo de vários ataques e xingamentos nas redes sociais após anunciar sua ida à CPI.

Graziano é agrônomo e foi presidente do Incra na gestão do presidente Fernando Henrique Cardoso. É autor de dez livros sobre reforma agrária, um dos fundadores do PSDB e um dos principais críticos das invasões de terra. Militantes de movimentos sociais e de partidos de esquerda têm usado as redes para atacar os críticos das ações do MST. “Fui convidado a estar na CPI, irei com gosto, mas não participarei de bate-boca. Vou apresentar um relatório sobre o processo da reforma agrária no Brasil”, disse Graziano.

Graziano tem mais de 150 mil seguidores nas redes sociais. Um pouco dos xingamentos é em função de seu nome ter sido ventilado para ocupar o Ministério da Agricultura no governo de Jair Bolsonaro, o que não se confirmou. “Vou apenas apresentar um depoimento técnico, com alguns slides, tabelas e gráficos, sobre a quantidade e a qualidade, ou seja, a eficiência da reforma agrária no país”, informou Graziano.

Ministros

A CPI do MST aprovou os pedidos para que sejam ouvidos os ministros da Agricultura, Carlos Fávaro, e do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira. De início, os pedidos apresentados previam a presença dos dois ministros de governo na condição de convocados, o que obriga o cumprimento da solicitação, com risco de punição caso contrário.

No entanto, ao analisar as representações, a CPI alterou o pedido para que Fávaro e Paulo Teixeira compareçam à comissão na condição de convidados, o que faculta a presença. Os requerimentos para ouvir os ministros foram protocolados pelos deputados federais Evair de Melo (PP-RS) e Éder Mauro (PL-PA).

O ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, afirmou não ver motivos para criminalizar o MST e que não tem medo de falar à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que investiga as ações do grupo.

“Não tenho qualquer medo de ir à Câmara para falar do MST, porque eles têm muitas virtudes. O MST está trabalhando com a produção de alimentos saudáveis, eles ajudam a organizar os mais pobres para voltar a trabalhar no campo e produzir. Estão agregando valor na produção por meio das cooperativas”, declarou Teixeira.

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