Quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Até o Globo de Ouro, o filme “O Agente Secreto” já tinha três vezes mais prêmios que “Ainda Estou Aqui”

Antes mesmo de vencer os prêmios de melhor filme em língua não inglesa e melhor ator em filme de drama no Globo de Ouro, no domingo (11), “O Agente Secreto” já acumulava mais de 50 troféus. A conquista histórica fez do longa o primeiro filme brasileiro a levar duas estatuetas na mesma edição da premiação.

Até então, a produção dirigida por Kleber Mendonça Filho havia recebido 54 prêmios em 35 festivais e cerimônias, incluindo melhor diretor e melhor ator no Festival de Cannes. O desempenho colocou o filme em posição numericamente mais robusta do que a campanha de “Ainda Estou Aqui” no ano anterior.

Em 4 de janeiro de 2025, véspera do Globo de Ouro, o longa de Walter Salles havia conquistado 17 prêmios em 12 festivais e premiações, no Brasil e no exterior. A vitória de Fernanda Torres como melhor atriz em filme de drama deu novo impulso à campanha internacional. Ao final da temporada, “Ainda Estou Aqui” somava 70 prêmios em 42 festivais.

À época do Globo de Ouro, no entanto, o filme de Walter Salles tinha apenas quatro meses de trajetória, iniciada no Festival de Veneza, em setembro de 2024, onde venceu o prêmio de melhor roteiro. O reconhecimento cresceu principalmente em festivais ibero-americanos.

“O Agente Secreto”, por sua vez, estreou mundialmente em maio de 2025, no Festival de Cannes, e chegou ao Globo de Ouro com oito meses de circulação internacional, ampliando sua presença em festivais, premiações e campanhas de divulgação. Desde Cannes, o filme passou a ser premiado por importantes associações de críticos dos Estados Unidos, como o New York Film Critics Circle, a Los Angeles Film Critics Association e o National Board of Review.

As indicações ao Globo de Ouro já eram inéditas. Pela primeira vez, um filme brasileiro concorreu em três categorias: melhor filme em língua não inglesa, melhor ator em filme de drama e melhor filme de drama. Wagner Moura também se tornou o primeiro brasileiro indicado como melhor ator nessa categoria.

Em 2024, “Ainda Estou Aqui” concorreu a melhor filme em língua não inglesa, mas perdeu para “Emilia Pérez”. A vitória de Fernanda Torres, porém, fortaleceu a campanha do longa, que meses depois renderia ao Brasil o primeiro Oscar de melhor filme internacional.

Além dos prêmios tradicionais, “O Agente Secreto” também recebeu menções inusitadas. A gata Carminha ganhou o troféu Golden Beast, concedido pelo New York Film Festival, enquanto o jornal The New York Times destacou a atuação de Tânia Maria como uma das melhores de 2025, chamando-a de “a melhor atuação com cigarro” do ano.

Para Dora Amorim, produtora executiva do filme, as comparações são naturais, mas cada obra segue seu próprio caminho. “Cada filme tem a sua trajetória e o seu DNA. No ano passado, ‘Ainda Estou Aqui’ fez uma campanha histórica, e agora estamos vivendo algo semelhante”, afirma. Segundo ela, o fato de “O Agente Secreto” ser uma produção nordestina, realizada no Recife por uma produtora de pequeno porte, amplia o simbolismo do momento.

A campanha internacional também se beneficiou da distribuição nos Estados Unidos pela Neon, responsável por títulos como “Parasita” e “Anora”. “Estamos em um momento decisivo. Para votar, as pessoas precisam assistir ao filme”, diz Amorim.

“O Agente Secreto” já ultrapassou dez semanas em cartaz no Brasil e foi visto por mais de 1 milhão de espectadores. “Ainda Estou Aqui” levou cerca de 6 milhões de pessoas aos cinemas. “É uma safra muito forte do cinema brasileiro em dois anos seguidos”, resume a produtora.

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