Segunda-feira, 16 de março de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 15 de março de 2026
Scarlett Johansson talvez seja uma das personalidades hollywoodianas mais versáteis de sua geração. Atriz desde os dez anos de idade, ela acumula papéis tanto em filmes pequenos e autorais –como os de Woody Allen e Wes Anderson–, quanto em megaproduções, caso dos nove longas da Marvel em seu currículo.
Hoje aos 41 anos, ela assume um papel ainda inédito em sua trajetória – o de diretora de longas. Se há cerca de 15 anos ela acompanhou a maré de estrelas americanas que se convertiam em produtores, agora ela faz sua estreia como cineasta com menos sucesso, é verdade, mas nem por isso com menos glamour.
Dono de algumas das sessões mais concorridas do último Festival de Cannes, “A Incrível Eleanor” chega ao Brasil envolto em menos expectativa do que aquela gerada no evento francês, onde integrou a mostra Um Certo Olhar, dedicada a cineastas emergentes.
A estreia nos cinemas brasileiros foi marcada de forma abrupta e não dá para dizer que houve uma campanha de marketing, aqui e lá fora, à altura de um nome como o de Scarlett Johansson –ela era a atriz de maior bilheteria da história de Hollywood até o mês passado, quando foi destronada por Zoe Saldaña, afinal.
Ainda assim, pelo simples fato de ter a americana em seus créditos, “A Incrível Eleanor” é um acontecimento no mundo cinematográfico, e os aplausos efusivos na sessão de estreia de Cannes deixaram isso claro. Mesmo num auditório repleto de críticos e cinéfilos não tão facilmente impressionáveis, Johansson arrancou suspiros e gritinhos.
“Foi tudo uma questão de tempo. Dirigir um filme é algo que te consome muito, de várias maneiras. Você realmente não pode fazer nada em paralelo, não tem vida familiar, não tem tempo para nada”, diz Johansson, acostumada a emendar projetos exigentes e tão díspares quanto “Um Panorama Visto da Ponte”, peça de Arthur Miller que lhe rendeu um Tony em 2010, e “Homem de Ferro 2”, que no mesmo ano apresentou sua Viúva Negra aos nerds.
“Não é uma questão de dar um outro rumo para a minha carreira, mas não acho que eu poderia ter feito este filme, com segurança, há dez anos. Foi uma questão de me sentir confortável para assumir a direção”, continuou ela, em conversa com jornalistas após a première em Cannes.
Ser diretora é uma ideia que orbita sua mente desde os 20 e poucos anos, ela conta. Johansson sabia que o faria em algum momento, mas isso significaria perder papéis para poder se dedicar integralmente à função por um tempo razoável.
Duas indicações ao Oscar, algumas franquias multimilionárias –como “Vingadores” e “Jurassic World”– e muitas parcerias com cineastas de grife depois, ela enfim sentiu que estava pronta. Quando o roteiro de “A Incrível Eleanor” chegou à sua produtora, a These Pictures, foi como se a última peça do quebra-cabeça se encaixasse.
“Muitos diretores de primeira viagem nunca passaram horas e horas num set de filmagem, enquanto eu, como atriz, passei milhares. Então eu não sabia executar o trabalho de todo mundo, mas eu sabia o que cada um precisava para cumprir sua função. Essa preocupação [de não entender as outras funções] eu não tive. Tudo foi como uma extensão do trabalho que eu já faço como atriz há muito tempo”, diz Johansson.
Em “A Incrível Eleanor”, ela interpreta uma mulher que divide o apartamento na Flórida com a melhor amiga. Quando a nonagenária morre, Eleanor é obrigada a se mudar para a gélida Nova York, onde divide um apartamento com a filha. Em passeios por parques e restaurantes de fast-food, ela tenta lidar com o luto, mas, incapaz, recorre a um grupo de apoio para pessoas que perderam entes queridos.
Apesar de Johansson não ter escrito “A Incrível Eleanor” – o roteiro é da estreante Tory Kamen–, o filme se amarra à sua história pessoal de outras várias formas. Seu pai é dinamarquês e a mãe, judia, tem ascendência polonesa e russa. Há cerca de dez anos, ela descobriu no programa televisivo Finding Your Roots, que vasculha o passado de celebridades, que parte de sua família morreu no Gueto de Varsóvia.