Quinta-feira, 19 de março de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 18 de março de 2026
Por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) deflagrou a operação “Gollum II”, com foco em um esquema de lavagem de dinheiro obtido em fraudes envolvendo tratamentos de saúde domiciliar do tipo “home care”. A ofensiva também busca identificar novos integrantes da organização criminosa.
Foram cumpridos nessa quarta-feira (18) 12 mandados de busca e apreensão nos municípios de Canoas, Esteio (ambos na Região Metropolitana de Porto Alegre) e Passo Fundo (Norte gaúcho), além de Balneário Camboriú (SC). Além disso, a Justiça determinou bloqueios de aproximadamente R$ 12 milhões, referentes a movimentações financeiras irregulares e que constam nas provas reunidas na primeira fase da operação.
Os mandados têm por finalidade recolher documentos, registros contábeis, equipamentos eletrônicos e mídias que possam contribuir para a reconstrução do fluxo financeiro envolvido. Ao todo, 12 novos alvos – nove pessoas físicas e três jurídicas – estão na mira das autoridades, pelos crimes de organização criminosa, estelionato e lavagem de dinheiro.
De acordo com o promotor de Justiça Diego Pessi, responsável pela ação no MPRS, a nova etapa decorre da análise aprofundada das provas obtidas anteriormente sobre desvio de recursos públicos destinados ao atendimento domiciliar de saúde em Passo Fundo.
“A investigação financeira e digital apontou fortes indícios de ocultação patrimonial do produto dos crimes de estelionato contra o Estado”, acrescenta.
Para o coordenador estadual do Gaeco, promotor de Justiça Rogério Meirelles Caldas, “a asfixia financeira e a recuperação de ativos ilícitos constituem uma diretriz institucional do MPRS, executada de forma integrada pela coordenação do GAECO e seus núcleos, como instrumento essencial de enfrentamento ao crime organizado”.
Seu colega Diego Pessi destaca que “essa nova fase da operação mira o mecanismo de lavagem de dinheiro engendrado pela organização, buscando a restituição dos valores desviados do erário”. Também participaram os promotores de Justiça Manoel Figueiredo Antunes e Maristela Schneider.
Ofensiva anterior
A primeira fase da operação foi deflagrada em Passo Fundo no dia 4 de dezembro de 2024, quando o Ministério Público desarticulou um esquema de fraudes no serviço de home care que desviava recursos do Estado e do IPE Saúde. Na ocasião, foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão.
Conforme a promotoria encerragada, a investigação identificou quatro núcleos criminosos formados por familiares, prestadores de serviços, advogados e colaboradores. O trabalho resultou, em 13 de maio do ano passado, em denúncias contra 23 envolvidos, estabelecendo a base de provas que viabilizou o avanço para a segunda fase da operação.
(Marcello Campos)