Terça-feira, 10 de março de 2026

Avança a participação das mulheres no mercado de trabalho do RS

Relatório divulgado nessa segunda-feira (9) pelo governo gaúcho revela que a participação das mulheres no mercado de trabalho no Rio Grande do Sul chegou a quase 59% em 2024. No mesmo período, a taxa de desocupação feminina caiu para 6,2%, menor resultado dos últimos anos e abaixo da média nacional (8,1%) – os dados são ainda mais significados se levadas em conta as oscilações observadas durante após a pandemia de coronavírus.

A inserção no mercado formal também evidencia maior qualificação. Em 2024, 34,2% das trabalhadoras no Estado possuíam ensino superior completo, proporção superior à registrada entre os homens (19,1%). Ainda assim, a diferença de rendimentos persiste: o salário médio feminino corresponde a 76% do masculino (razão de 0,76).

Os dados integram a “Síntese ODS 5 – Igualdade de Gênero”, do Departamento de Economia e Estatística (DEE) da Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão (SPGG). Foram monitorados 47 indicadores relacionados às nove metas do chamado “Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 5” em âmbito gaúcho.

Liderança e autonomia

Além do mercado de trabalho, o levantamento analisa a presença feminina em espaços de decisão. Em 2025, as mulheres representam 61,4% do total de servidores do Poder Executivo estadual (75.862 de 123.576) e ocupam 54,3% dos cargos e funções de chefia, percentual nove pontos percentuais superior ao de 2024. Nas Secretarias Estaduais, elas estão à frente de 35,5% das pastas.

No plano federal, as mulheres ocupam 26,3% dos cargos ministeriais. No Judiciário gaúcho, 45,3% dos magistrados são mulheres. Já na segurança pública, o Estado registra 41,5% de participação feminina na Polícia Civil e 16,3% na Brigada Militar.

Em relação ao trabalho não remunerado, dados de 2022 indicam que as mulheres dedicaram 11,3% do seu tempo aos afazeres domésticos, proporção 1,7 vez superior à dos homens (6,7%). Entre as mulheres inativas de 18 a 60 anos no Estado, 10,9% indicaram cuidados domésticos como principal motivo, percentual inferior ao da média nacional (15,7%).

Com a palavra…

Conforme a titular da pasta, Danielle Calazans, o estudo fortalece a consolidação de uma governança baseada em evidências: “O papel da SPGG é assegurar que o planejamento do Estado seja ancorado em dados consistentes. O monitoramento sistemático desses indicadores transforma estatísticas em inteligência para a gestão pública, permitindo identificar com clareza onde houve avanço e onde as desigualdades persistem. Isso fortalece o planejamento e orienta decisões mais precisas na formulação de políticas”.

Ela também destacou a relação entre evidências, gestão e orçamento: “A eficiência do gasto público depende de um ciclo de planejamento robusto, transparente e alinhado aos desafios apontados pelos dados. Direcionar recursos com base em evidências aumenta a eficácia das políticas e potencializa o impacto das ações. Um exemplo concreto é o avanço na presença feminina em cargos de chefia no Executivo. Esses resultados reforçam como a boa gestão de pessoas e o acompanhamento dos indicadores contribuem para políticas de equidade sustentáveis e com resultados reais para a população”.

Já a para a secretária adjunta da Secretaria da Mulher, Viviane Viegas, os dados demonstram que políticas públicas bem estruturadas produzem resultados. Mas também evidenciam que a desigualdade de gênero permanece como um desafio estrutural, que atravessa gerações, territórios e instituições. “Nosso compromisso é seguir fortalecendo ações baseadas em evidências, ampliando a transversalidade das políticas de gênero, assegurando orçamento adequado, monitoramento contínuo e participação social”, completou.

(Marcello Campos)

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