Terça-feira, 07 de abril de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 7 de abril de 2026
Fundado em Porto Alegre no final de 2021 e atuante na série A do Campeonato Gaúcho desde 2025, o Monsoon Futebol Clube teve aceito o pedido de processamento de sua recuperação judicial. O comando da instituição, atualmente deslocada para o Litoral Norte – argumenta que a medida é necessária para o enfrentamento de problemas financeiros da instituição esportiva.
A decisão é do juiz Max Akira Senda de Brito, da Vara Regional Empresarial da Comarca da Capital. No foco do problema estão dívidas milionárias, em decorrência do encerramento – há dois anos – de uma empresa parceria em investimentos, além dos custos elevados de manutenção do time.
Dentre as exigências para o andamento da ação constam a nomeação de um administrador judicial (responsável pela fiscalização e transparência em ações dessa natureza no âmbito do clube) e a suspensão temporária – por seis meses – das ações e execuções financeiras contra o Monsoon. Também é fixado prazo de dois meses para que a agremiação apresente à Justiça um plano detalhado de recuperação judicial.
Outra diretriz é de que a Federação Gaúcha de Futebol (FGF) seja notificada para que providencie ao clube o repasse de valores referentes a cotas de participação e televisionamento do Campeonato Gaúcho de 2026. “Tais verbas constituem a principal fonte de receita ordinária do clube no momento”, sublinha o juiz.
Ele acrescenta: “Negar o processamento do pedido significaria, neste momento, condenar a entidade à liquidação desordenada de seu patrimônio, com provável paralisação de suas atividades, em prejuízo de toda a coletividade de credores, atletas, funcionários e comunidade”. A íntegra da decisão está disponível no portal tjrs.jus.br.
Origem inusitada
O Moonson foi fundado em 22 de novembro de 2021 como clube-empresa focado na formação de atletas para o mercado internacioal. Sua gênese foi viabilizada por união entre o empresário gaúcho Lucas Pires (ex-agente de atletas de MMA, como são conhecidas as lutas de artes marciais mistas) e o grupo de tecnologia Monsoon International, sediado em Dubai (Emirados Árabes) e sob liderança do bilionário indiano Suma Charma.
As cores escolhidas foram preto, branco e dourado, ao passo que o mascote é o camelo, refletindo a ligação com o Oriente Médio. O time iniciou suas atividades utilizando a estrutura de Porto Alegre F.C., então pertecente à família do ex-jogador Ronaldinho Gaúcho, na Zona Sul de Porto Alegre, e posteriormente extinto.
Após sua ascensão meteórica no futebol estadual, o clube passou a enfrentar dificuldades financeiras que não impediram sua manutenção na elite do Gauchão ao longo de duas temporadas – a terceira já está garantida. Recentemente o clube passou por mudanças, transferindo sua sede para Capão da Canoa (Litoral Norte). No Campeonato Gaúcho deste ano, o Monsoon garantiu em campo a sua permanência na Série A estadual para a temporada de 2027.
(Marcello Campos)