Terça-feira, 05 de julho de 2022

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Aviação privada é responsável por 40% dos acidentes aéreos no Brasil desde 2011

Mais de 40% dos 1.824 acidentes aéreos no Brasil registrados desde 2011 ocorreram com aeronaves particulares, mostram dados do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos).

O avião que caiu na sexta-feira (05) e matou cinco pessoas, entre elas a cantora Marília Mendonça, era de uma outra categoria — táxi aéreo. Um total de 6,35% dos acidentes no período ocorreram em aeronaves que prestam esse tipo de serviço, segundo o Cenipa.

Em contrapartida, a chamada aviação regular — ou seja, voos comerciais para transporte de passageiros feito pelas companhias aéreas — responde só por 0,87% dos acidentes registrados no período.

Na aviação regular, foram apenas 16 ocorrências do tipo de 2011 para cá — o último acidente fatal do Brasil nessa categoria ocorreu há mais de 10 anos, na queda de um avião da NOAR Linhas Aéreas em Recife, quando 14 passageiros e dois tripulantes morreram. Os dados do Cenipa incluem aviões, helicópteros, ultraleves, dirigíveis e outras aeronaves.

Aviação particular: é o uso da aeronaves em viagens privadas — a pessoa tem um avião ou um helicóptero e pode usá-lo para viajar. Não pode, no entanto, cobrar para levar alguém; pode só fazer transporte próprio, de familiares ou de amigos.

Táxi aéreo: é feito por empresas de aviação contratadas para levar uma pessoa ou um grupo de um lugar para o outro — ou seja, há uso comercial. Deve seguir uma série de exigências mais rígidas sobre treinamento de pilotos e manutenção do que a aviação particular.

Aviação regular: são os voos das companhias aéreas, marcados com um número, que fazem transporte entre os aeroportos em um horário e uma linha pré-definidos.

Os especialistas pedem cautela em relação a esses números: afinal, cada acidente é único e demanda análise profunda para estabelecer qualquer tipo de relação de causa e consequência. Eles dizem também que a aviação geral brasileira é, sim, segura, mas que os níveis de segurança podem sempre ser aprimorados e melhorados.

Além disso, a discrepância se explica em parte pela enorme diferença numérica entre aeronaves particulares, que chegam a 47% do total, sobre os aviões comerciais, que são apenas 3%, segundo dados de 2020 da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). Serviços de táxi aéreo respondem por 6% do total. Ou seja, são percentuais próximos dos observados na proporção dos acidentes por segmento da aviação.

“A capilaridade é muito maior na aviação particular. Tem avião que voa de uma fazenda para a outra”, exemplifica George William Sucupira, conselheiro da Aopa (Associação de Pilotos e Proprietários de Aeronaves).

Vale lembrar que as causas do acidente que matou Marília Mendonça e mais quatro pessoas ainda estão sob investigação. Documentos mostram que a aeronave acidentada perto de Caratinga (MG) estava habilitada para o serviço de táxi aéreo — que era, de fato, a categoria do voo que levava a cantora. Ainda assim, a fiscalização dos voos privados levanta mais preocupações.

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