Terça-feira, 10 de fevereiro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 9 de fevereiro de 2026
Neste domingo (8), Bad Bunny comandou o cobiçado intervalo do Super Bowl, evento de maior audiência da TV americana.
Com Lady Gaga e Ricky Martin entre os convidados, a apresentação foi repleta de simbolismo e mensagens sobre a cultura latino-americana. Isso já era esperado, já que Bad Bunny exalta a identidade porto-riquenha no premiado disco “Debí Tirar Más Fotos”.
Com o contexto atual da relação entre EUA, imigrantes e comunidade latina, mesmo antes de começar, esse já foi o show mais político da história do Super Bowl. Não à toa, o show enfureceu Trump, que disse que a apresentação foi “uma afronta à grandeza da América”.
Porto Rico em um cenário
A apresentação foi feita quase inteiramente em espanhol, sem muita tradução para o inglês. Aliás, o cantor se empenhou em fazer a tradução contrária: na abertura, foram mostrados os dizeres “el espetáculo de medio tiempo del Súper Tazón”, ou seja, “o espetáculo do intervalo do Super Bowl” em espanhol.
Em seguida, foi mostrada uma ambientação bem porto-riquenha, com os trabalhadores no campo, senhores jogando dominó, uma mulher na manicure e por aí vai. Logo de cara, fica claro que Bad Bunny quer levar o espectador para a sua terra e cultura.
“Meu nome é Benito Antonio Martinez Ocasio, e se hoje estou aqui no Super Bowl 60, é porque nunca deixei de acreditar em mim. Você também deveria acreditar em você. Você vale mais do que você imagina”, disse ele mais tarde em espanhol.
Casita com latinos famosos
O músico também levou a “casita”, um cenário de seus shows que representa uma típica casinha porto-riquenha. Nos shows, a casa reúne convidados que dançam e curtem as músicas enquanto Bad Bunny se apresenta.
Já neste Super Bowl, entre os convidados da casita, estavam Cardi B, Karol G, Pedro Pascal e Jessica Alba, todos latinos ou estadunidenses de ascendência latina.
Além disso, com as dançarinas, essa e outras partes da apresentação mostraram o “perreo”, estilo de dança sensual que surgiu em Porto Rico nos anos 80. É uma dança similar ao rebolado do funk no Brasil.
Casamento de verdade
Cerca de cinco minutos após o início do espetáculo de 13 minutos, a parte final de uma cerimônia de casamento foi exibida, com um celebrante e um casal. O casamento foi real, como confirmou um representante do cantor para a imprensa americana.
O casal, que não teve os nomes divulgados, havia convidado Bad Bunny para o casamento, mas ele sugeriu que, em vez disso, eles participassem do show do intervalo. O artista serviu como testemunha e assinou a certidão de casamento, com direito até a um bolo de verdade.
Lady Gaga baila
A cantora Lady Gaga entrou com Los Sobrinos, uma banda porto-riquenha de salsa, para tocar “Die With a Smile”. Eles foram uma espécie de “banda de casamento” para o casal que apareceu logo antes.
A cerimônia teve mesinhas, bolo de casamento e até uma criança “dormindo” na cadeira. Em seguida, a própria Gaga foi puxada para dançar por Bad Bunny em “Baile Inolvidable”.
Nuevayol: a Nova York latina
Em seguida, ele entoou “Nuevayol”. A faixa relembra a conexão entre a ilha caribenha e a cidade americana, considerada o centro cultural e demográfico mais importante para os porto-riquenhos fora de San Juan. Afinal, até a bandeira de Porto Rico foi feita por lá.
O cenário imitou as “bodegas” americanas, com direito à aparição especial de Toñita, dona do Caribbean Social Club. É um dos bares mais emblemáticos da cultura latina em Nova York.
Foi nesse momento, também, que Bad Bunny aproveitou para entregar um Grammy para uma criança que “o assistia” em uma televisão. As roupas do menino foram inspiradas em um visual que o próprio Benito (Bad Bunny) usava em uma foto de infância.
O que é América
O momento mais representativo veio no fim do show, quando Bad Bunny pegou uma bola de futebol que dizia “Juntos, somos a América”. Ele estava acompanhado de bailarinos e músicos que seguravam bandeiras de diversos países do continente americano.
“Deus abençoe a América”, disse o artista em inglês, reproduzindo a frase patriótica comumente usada pelos estadunidenses.
Em seguida, ele aproveitou para definir América: “Ou seja: Chile, Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Peru, Equador, Brasil, Colômbia…” e citou todos os países do continente americano, incluindo Estados Unidos e “minha terra mãe, Porto Rico”.
Os países foram citados do Sul para o Norte, exceto por Porto Rico, que entrou por último por ser a terra do cantor.
No fundo, um telão exibia a frase “A única coisa mais poderosa que o ódio é o amor”. E assim, Bad Bunny encerrou dançando e cantando “Dtmf”, faixa-título do disco mais recente, que fala sobre amor, saudade, identidade e memória. Com informações do portal G1.