Sábado, 30 de agosto de 2025

Baixa presença feminina em cargos estratégicos na direção do PT gera queixa interna

Militantes e membros da direção petista se queixaram nos bastidores da legenda sobre a baixa representatividade das mulheres na nova Executiva Nacional, anunciada na última semana. Com exceção da recondução de Gleide Andrade como tesoureira, os principais cargos ficaram com homens.

Além de não terem mais a presidência da legenda, que era de Gleisi Hoffmann, as mulheres também perderam o estratégico posto de secretária de Organização, responsável por conferências e eleições internas.

Além de Edinho Silva, novo presidente, são homens os cinco vices: Jilmar Tatto, Joaquim Soriano, José Guimarães, Rubens Jr. e Washington Quaquá.

O mesmo ocorreu com os postos de secretário-geral (Henrique Fontana), Relações Internacionais (Humberto Costa), Comunicação (Eden Valadares), Organização (Laércio Ribeiro), Assuntos Institucionais (Romênio Pereira) e Mobilização (Luiz Felipe).

Excetuando-se o caso de Gleide, as mulheres conquistaram apenas funções consideradas secundárias: as secretarias de Nucleação (Maria de Jesus), Movimentos Populares (Lucinha) e Formação (Tassia Rabelo).

O predomínio masculino foi tema de reclamação em grupos de petistas no WhatsApp do partido no último final de semana, que viram incoerência na defesa feita pelo PT da maior participação feminina na política com o pouco espaço dado a elas na direção nacional.

Cobranças de Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou maturidade política de ministros do PT para que projetos pessoais sejam deixados de lado em nome da formação de alianças eleitorais competitivas, em 2026. Em reunião realizada na noite dessa quinta-feira (28), no Palácio da Alvorada, Lula disse que o PT e seus aliados precisam eleger maioria no Senado, no ano que vem, se não quiserem que a Casa de Salão Azul seja controlada por discípulos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Lula convidou ministros, líderes do PT no Congresso e o novo presidente do partido, Edinho Silva, para uma conversa reservada, com o objetivo de discutir as estratégias do governo na Câmara e no Senado e as eleições do ano que vem. Em 2026, o Senado vai renovar 54 de suas 81 cadeiras e pesquisas mostram que aliados de Bolsonaro aparecem mais bem posicionados no jogo.

O cenário atormenta o Palácio do Planalto. Ministros que estavam na reunião interpretaram as afirmações de Lula sobre a necessidade de montar chapas competitivas na disputa pelo Senado como um recado para o titular da Fazenda, Fernando Haddad. Candidato a novo mandato, o presidente precisa de palanques fortes, sobretudo em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, os maiores colégios eleitorais.

Até agora, Haddad não planeja deixar o cargo para ser candidato. Pelas contas do governo, aproximadamente 20 dos 38 ministros devem sair em abril do ano que vem para tentar vagas no Congresso e até em governos estaduais.

Ao falar sobre o momento político, Lula não previu surpresas no julgamento de Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que começa na próxima terça-feira (2). A expectativa é de que ele seja condenado por tentativa de golpe e abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

A reunião com ministros e líderes do PT ocorreu após uma rodada de encontros do presidente com representantes de outros partidos que compõem o governo. Nas últimas semanas, Lula recebeu ministros e dirigentes do Republicanos, União Brasil, PSD, MDB e PSB.

 

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